Roupas com etiqueta ambiental: o que muda com as novas regras da EU 

A União Europeia deu um passo importante rumo à sustentabilidade no setor têxtil ao aprovar, em junho de 2025, as novas Regras da Categoria de Pegada Ambiental de Produto (PEFCR) para vestuário e calçado. Trata-se de uma metodologia comum e obrigatória (a prazo) para medir e comunicar o impacto ambiental real destes produtos. A novidade promete transformar a forma como produzimos, compramos e avaliamos roupas e sapatos e combater de forma mais eficaz o greenwashing. 

O que são as PEFCR? 

As PEFCR (Product Environmental Footprint Category Rules) são um conjunto de regras técnicas que permitem medir o impacto ambiental de um produto ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a extração das matérias-primas até ao seu fim de vida (reutilização, reciclagem ou descarte). 

No caso específico do vestuário e do calçado, essas regras permitem avaliar, de forma padronizada e científica, o efeito real de uma peça sobre o planeta, incluindo: 

  • Produção de fibras (naturais, sintéticas ou recicladas) 
  • Processos industriais (tingimento, acabamento, costura) 
  • Transporte e distribuição 
  • Uso (lavagem, secagem, durabilidade) 
  • Destino final (reciclagem, aterro, incineração) 

O que vai mudar? 

Até agora, cada empresa usava os seus próprios critérios (muitas vezes pouco claros) para comunicar o impacto dos seus produtos. Esta situação tornava quase impossível comparar marcas ou confiar plenamente em alegações como “sustentável”, “eco-friendly” ou “neutro em carbono”. 

Com as novas regras: 

  • Todas as empresas vão seguir a mesma metodologia 
  • Todos os materiais serão avaliados de forma imparcial 
  • Os impactos serão medidos com base em dados reais e indicadores científicos 
  • Será possível comparar produtos entre si com base no seu desempenho ambiental 

O que as PEFCR avaliam e qual a importância 

As regras incluem 16 indicadores ambientais obrigatórios, que cobrem os principais impactos associados à produção e uso de vestuário e calçado. Alguns exemplos são as emissões de gases com efeito de estufa, o consumo de água doce, o uso de recursos fósseis e minerais, a toxicidade para seres humanos e ecossistemas e a geração de resíduos e poluição do ar. 

Além disso, estão a ser desenvolvidas novas métricas para integrar microplásticos libertados durante a lavagem e efeitos na biodiversidade, dois fatores cada vez mais críticos. 

Para as empresas, as novas regras vão exigir mais transparência e incentivar a inovação ecológica. As marcas poderão agora identificar pontos críticos no ciclo de vida dos seus produtos, reduzir emissões e desperdícios, conceber produtos mais duráveis, reparáveis e recicláveis e preparar-se para futuras exigências legais europeias (como o Passaporte Digital de Produto

Para os consumidores, que atualmente se confrontam com rótulos e campanhas “verdes” que não têm fundamento técnico, o que dificulta decisões informadas, as novas PEFCR trazem clareza e comparabilidade, permitem distinguir entre alegações legítimas e greenwashing, facilitam escolhas com base em informação objetiva e transparente. Isto porque, no futuro, esta informação estará disponível através de etiquetas digitais e passaportes de produto acessíveis a qualquer pessoa. 

O que se segue? 

As PEFCR estão, por agora, disponíveis para aplicação voluntária, mas tudo indica que se tornarão obrigatórias para as empresas que operam no mercado europeu, em especial no contexto da nova legislação sobre ecodesign e produtos digitais. 

Nos próximos anos, a Comissão Europeia irá continuar a atualizar estas regras com novas evidências científicas e contributos de stakeholders, incluindo métricas sobre microfibras, biodiversidade e impacto social. 

Com estas novas regras, a União Europeia dá um passo decisivo para transformar o setor têxtil. Pela primeira vez, será possível medir, comparar e comunicar o impacto ambiental da roupa de forma clara, científica e transparente

Para as cidades, para os consumidores e para a indústria, trata-se de uma mudança profunda — e essencial — para um futuro mais sustentável. 

Fontes oficiais: