Quando a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) foi assinada em 1992, na Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro, estabeleceu-se a primeira base global para enfrentar as alterações climáticas. O objetivo era claro: estabilizar as concentrações de gases com efeito de estufa na atmosfera e evitar interferências perigosas no sistema climático da Terra.
O mecanismo central desta convenção é a Conferência das Partes (COP), que reúne anualmente os países signatários para avaliar progressos, negociar compromissos e definir novas metas. Desde então, a COP tornou-se o principal palco da diplomacia climática, articulando ciência, política e economia numa tentativa de fornecer respostas coordenadas à crise climática.
Fundação da UNFCCC
Na Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro, nasceu a UNFCCC, oferecendo o primeiro quadro institucional global para combater as mudanças climáticas por meio da cooperação entre nações.
COP1 em Berlim
O primeiro encontro (COP1) estabeleceu a periodicidade anual e lançou a agenda formal de negociações.
COP3 em Quioto
Foi adotado o Protocolo de Quioto, o primeiro acordo com metas obrigatórias de redução de emissões para países desenvolvidos, um marco jurídico na governança climática.
COP13 em Bali
Aprovada a “Rota de Bali” (Bali Roadmap), que definiu cronogramas para substituir o Protocolo de Quioto por um acordo de alcance global.
COP15 em Copenhaga
Consolidação da meta de limitar o aquecimento a 2 °C e gerou compromissos de financiamento climático, mas sem caráter vinculativo.
COP16 em Cancún
Formalizados os acordos de Copenhaga e criado o Green Climate Fund, destinado a apoiar financeiramente países em desenvolvimento na adaptação e mitigação das alterações climáticas.
COP17 em Durban
Instituída a Plataforma de Durban que lançou as bases para um novo acordo global, juridicamente vinculativo, que envolveria todos os países — desenvolvidos e em desenvolvimento. Essa decisão foi o ponto de partida para as negociações que, quatro anos mais tarde, culminaram no Acordo de Paris. e.
COP21 em Paris
Estabelecido o Acordo de Paris com a meta de manter o aquecimento abaixo de 2 °C e, idealmente, em 1,5 °C. Pela primeira vez, todos os países apresentaram compromissos próprios (NDCs). Também foi acordada a entrada em funcionamento do Green Climate Fund.
COP24 em Katowice
Elaborado o “Paris Rulebook”, que detalhou como aplicar o Acordo de Paris, com foco em transparência e responsabilização.
COP26 em Glasgow
Adotado o Glasgow Climate Pact, que reafirmou o objetivo de 1,5 °C e incluiu, pela primeira vez, a menção ao “phase down” do carvão, um avanço simbólico no combate aos combustíveis fósseis
COP28 em Dubai
O documento final referiu, pela primeira vez, a transição energética para além dos combustíveis fósseis. Foram definidas metas mais ambiciosas para 2030 e criado o Fundo de Perdas e Danos, um mecanismo financeiro internacional destinado a apoiar países em desenvolvimento que sofrem os impactos mais graves das alterações climáticas — como ciclones, secas, inundações, subida do nível do mar — e que não conseguem prevenir ou adaptar-se suficientemente.
Por que a COP importa?
A COP não é apenas um espaço de debate: é o único fórum internacional onde praticamente todos os países do mundo se sentam à mesma mesa para discutir a crise climática.
- Definição da agenda climática global
Decisões tomadas nas COPs moldam o rumo das políticas ambientais em escala planetária. Acordos como o Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris estabeleceram não só metas de redução de emissões, mas também novos mecanismos de monitorização, financiamento e cooperação científica. As prioridades definidas em cada conferência influenciam diretamente a legislação ambiental, os investimentos em energias renováveis e as estratégias de adaptação e mitigação nos países membros.
- Espaço para ação coletiva
O caráter multilateral da COP garante que nenhuma nação atue isoladamente. Cada conferência, mesmo quando não produz consensos totais, representa um passo no fortalecimento da ação coletiva. É também um espaço onde países em desenvolvimento podem reivindicar apoio financeiro e tecnológico dos países mais ricos, colocando em evidência o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas.
- Mudança de paradigma político e económico
A COP não afeta apenas a política ambiental: influencia economias inteiras. Discussões sobre transição energética, descarbonização e justiça climática moldam mercados, estratégias empresariais e até acordos comerciais. Nos últimos anos, o debate deixou de ser exclusivamente científico ou ambiental e passou a integrar a agenda de desenvolvimento, segurança energética e estabilidade económica.
- Símbolo de diplomacia multilateral
Num mundo cada vez mais polarizado, a COP é um dos poucos espaços em que quase 200 países conseguem negociar em conjunto. Mesmo com avanços graduais e muitas vezes insuficientes, as conferências demonstram que há uma arquitetura institucional global disposta a enfrentar a crise climática com base em diálogo e compromisso.
Em busca de um caminho comum
A COP nasceu para transformar a urgência climática em ação coordenada. Os avanços foram graduais, mas cada conferência representa uma construção coletiva que vai além dos documentos assinados: redefine narrativas, pressiona governos e estimula setores económicos a adaptarem-se.
À medida que os impactos climáticos se intensificam, a COP permanece como o principal palco da diplomacia climática e um lembrete anual de que, apesar das falhas, ainda existe um caminho comum para enfrentar a maior crise do nosso tempo.



