
Apesar das incertezas económicas e políticas que marcam o contexto global, a transição climática não está a abrandar. Pelo contrário: segundo o mais recente relatório do Fórum Económico Mundial (WEF), a economia verde já ultrapassou os 4,3 mil milhões de euros e deverá exceder cerca de 6,0 mil milhões de euros até 2030, tornando-se um dos setores de crescimento mais rápido da economia global, superado apenas pelo setor tecnológico.
Este crescimento não é apenas uma projeção futura. É uma realidade económica atual, impulsionada por investimentos públicos e privados, pela redução acelerada dos custos das tecnologias limpas e por uma crescente necessidade de adaptação e resiliência face aos impactos climáticos. Para as cidades, onde se concentra grande parte da população, da infraestrutura e da atividade económica, esta transformação representa simultaneamente um desafio estratégico e uma oportunidade histórica.
Mitigação e adaptação: dois motores da economia verde
De acordo com o relatório, cerca de 78% do valor atual da economia verde resulta de soluções de mitigação, com destaque para os transportes, a mobilidade elétrica, a energia renovável e a eficiência energética em edifícios e indústrias. Tecnologias como a energia solar, eólica, baterias e veículos elétricos registaram quedas de custo entre 50% e 90% desde 2010, tornando-se, em muitos contextos, mais competitivas do que as alternativas fósseis.
Um dado particularmente relevante para as políticas locais é que mais de 50% das emissões globais podem já ser reduzidas com soluções custo-competitivas, sem necessidade de subsídios. Isto reforça o papel das cidades na aceleração da transição, através do planeamento urbano, da mobilidade sustentável, da eficiência energética e da eletrificação.
Ao mesmo tempo, os mercados de adaptação e resiliência climática representam já 22% do investimento climático global, com um valor superior a mil milhões de euros. Estas soluções — como materiais de construção resilientes, gestão urbana da água, sistemas de arrefecimento, infraestruturas verdes e análise de risco climático — estão a crescer rapidamente também no Norte Global, onde os impactos das alterações climáticas se tornam cada vez mais visíveis. Muitas destas áreas de investimento são diretamente geridas ou reguladas ao nível municipal.
Crescimento económico, competitividade e financiamento
O relatório demonstra ainda que a economia verde não é apenas uma resposta ambiental, mas uma estratégia económica vencedora. Empresas com receitas verdes crescem, em média, duas vezes mais rápido do que as restantes, têm acesso a capital mais barato e beneficiam de avaliações de mercado mais elevadas. Este padrão tem implicações diretas para os territórios: cidades que criam condições para atrair investimento verde, inovação e novos modelos de negócio tornam-se mais competitivas e resilientes.
Outro fator-chave destacado é a segurança energética, que está a tornar-se um motor adicional do investimento em energias renováveis e soluções de baixo carbono. A redução da dependência de importações energéticas e a produção local de energia reforçam a autonomia económica e a estabilidade dos territórios, um aspeto particularmente relevante para cidades e regiões.
O papel estratégico das cidades na economia verde
Para o Fórum Económico Mundial, a economia verde já não é um nicho emergente: é um mercado estruturante, que moldará o crescimento económico nas próximas décadas. Neste contexto, as cidades surgem como plataformas essenciais de implementação, inovação e experimentação, onde políticas climáticas se traduzem em projetos concretos, benefícios sociais e impacto mensurável.
Investir hoje em mitigação, adaptação e resiliência não é apenas uma resposta à crise climática, mas uma forma de gerar crescimento económico, criar emprego, reduzir riscos futuros e melhorar a qualidade de vida urbana. As cidades que alinhem planeamento urbano, investimento público e inovação com esta nova realidade económica estarão melhor preparadas para liderar a transição para a neutralidade climática.
O relatório completo do Fórum Económico Mundial pode ser consultado aqui



