
O relatório “Adaptation in Europe 2026 – From Planning to Implementation”, do European Scientific Advisory Board on Climate Change , publicado a 18 de fevereiro de 2026, sobre adaptação às alterações climáticas revela que, apesar de progressos relevantes nos últimos anos, a Europa continua vulnerável a riscos climáticos cada vez mais intensos e frequentes. O documento, divulgado a 18 de fevereiro de 2026, sublinha que a adaptação deixou de ser uma opção complementar à mitigação, tendo-se tornado uma prioridade estratégica para garantir competitividade, coesão social e resiliência territorial.
O relatório destaca que fenómenos extremos como ondas de calor, secas prolongadas, inundações e tempestades costeiras estão a aumentar em intensidade e frequência, com impactos diretos na saúde pública, na agricultura, nas infraestruturas e nas economias locais. As cidades, em particular, surgem como territórios críticos, concentrando população, ativos económicos e infraestruturas essenciais.
Segundo o documento, os custos da inação poderão superar largamente os investimentos necessários para reforçar a resiliência. Entre as áreas identificadas como prioritárias estão a adaptação das infraestruturas críticas, a gestão sustentável da água, o ordenamento do território sensível ao risco climático e a integração de soluções baseadas na natureza.
Da estratégia à ação: o desafio da implementação
O relatório chama ainda a atenção para desigualdades territoriais e sociais na exposição aos riscos climáticos. Regiões costeiras e do sul da Europa enfrentam vulnerabilidades acrescidas, enquanto comunidades com menor capacidade financeira têm mais dificuldades em implementar medidas de adaptação eficazes.
Outro ponto central do documento é a necessidade de melhorar a articulação entre níveis de governação. Embora muitos municípios já tenham desenvolvido planos de adaptação, persistem lacunas ao nível do financiamento, da capacitação técnica e da coordenação com políticas nacionais e europeias.
O relatório recomenda o reforço de mecanismos de financiamento dedicados, a integração sistemática da adaptação nas políticas públicas e o desenvolvimento de métricas claras para monitorizar resultados. Defende ainda uma abordagem preventiva, baseada em dados científicos e em avaliações de risco atualizadas.
Num contexto em que a União Europeia procura reforçar a sua resiliência face a choques climáticos, energéticos e geopolíticos, o documento conclui que investir em adaptação é também investir em estabilidade económica e social. A transição climática, sublinha, não se faz apenas reduzindo emissões, mas exige igualmente preparar territórios e comunidades para os impactos já inevitáveis das alterações climáticas.
Acelerar a adaptação é fundamental para proteger cidadãos, garantir competitividade e assegurar um desenvolvimento sustentável nas próximas décadas.



