Novo guia ajuda empresas a navegar o mercado de carbono e a preparar a transição climática 

Um novo relatório procura ajudar empresas e investidores a compreender melhor o funcionamento dos mercados de carbono e a tomar decisões mais informadas sobre a compra de créditos de carbono. O 2026 Carbon Market Buyer’s Guide apresenta-se como uma ferramenta prática de apoio à estratégia climática das organizações, num momento em que a pressão para reduzir emissões e cumprir metas de neutralidade carbónica está a aumentar. 

O guia foi elaborado com base em dados e análises de instituições internacionais de referência, incluindo o World Bank, a BloombergNEF e o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). O documento conta também com contributos e validação de especialistas e organizações ligadas ao setor, como a International Emissions Trading Association (IETA) e a BeZero Carbon

Uma ferramenta para decisões estratégicas 

O objetivo do guia é servir como instrumento de apoio à tomada de decisões para profissionais envolvidos na transição climática das empresas, incluindo responsáveis de sustentabilidade, equipas de compras e estrategas financeiros. 

Mais do que analisar o estado atual do mercado, o relatório procura oferecer uma perspetiva sobre as transformações estruturais que deverão marcar o mercado de carbono ao longo desta década. A ideia central é ajudar as empresas a passar de uma abordagem voluntária e pontual à ação climática para uma estratégia integrada que contribua também para a resiliência económica e financeira das organizações

Nesse contexto, o guia propõe três utilizações principais: 

  • Alinhamento estratégico, permitindo às empresas avaliar a sua estratégia climática à luz das tendências globais; 
  • Gestão de risco, antecipando alterações regulatórias, evolução de preços e possíveis limitações de oferta de créditos; 
  • Planeamento de ação, ajudando a estruturar estratégias de aquisição de créditos de carbono a médio e longo prazo. 

O mercado de carbono numa nova fase 

Uma das mensagens centrais do relatório é que o mercado de carbono está a entrar numa nova fase de maturidade e exigência, em que a integridade e a qualidade dos créditos se tornam fatores decisivos. 

Nos últimos anos, o setor tem enfrentado maior escrutínio público e regulatório, levando a uma crescente procura por créditos de carbono com impacto verificável e elevado grau de credibilidade. Segundo os especialistas citados no guia, a tendência aponta para um mercado cada vez mais orientado por critérios de transparência, avaliação independente e padrões mais rigorosos. 

Ao mesmo tempo, os créditos de carbono começam a ser encarados por muitas empresas não apenas como um custo associado às metas climáticas, mas como um ativo estratégico dentro das suas carteiras de investimento

Uma ferramenta para apoiar a neutralidade carbónica 

O documento defende que os mercados de carbono desempenham um papel importante no financiamento de projetos que reduzem ou removem emissões de gases com efeito de estufa, como iniciativas de proteção florestal, energias renováveis ou tecnologias de remoção de carbono. 

De acordo com o relatório, a capacidade global de remoção de carbono terá de crescer até 180 vezes até 2050 para compensar as emissões residuais que não podem ser eliminadas diretamente. Nesse cenário, os créditos de carbono podem ajudar a mobilizar financiamento privado para soluções climáticas em larga escala. 

O guia destaca ainda que novas regras e padrões internacionais, incluindo os desenvolvidos pela Science Based Targets initiative (SBTi), estão a reforçar a necessidade de integrar créditos de carbono de forma mais estruturada nas estratégias de neutralidade climática das empresas. 

Apoiar compradores num mercado em rápida evolução 

Ao longo das suas dezenas de páginas, o guia apresenta também tendências emergentes, recomendações práticas para compradores e orientações para construir portefólios de créditos de carbono mais robustos e credíveis

Entre os temas abordados estão: 

  • a evolução da regulação e dos padrões internacionais; 
  • a crescente procura por créditos de alta qualidade; 
  • a importância de contratos de longo prazo para garantir acesso a projetos climáticos; 
  • e o papel dos mercados de carbono no financiamento da transição energética global. 

O que as empresas devem fazer já 

O guia resume as suas recomendações em quatro orientações práticas para os compradores: 

  1. Criar um caminho credível para o zero líquido, tomando já responsabilidade pelas emissões correntes enquanto se investe em descarbonização de longo prazo. 
  1. Investir agora para evitar o choque de preços, convertendo necessidades futuras de créditos em custos fixos previsíveis através de contratos plurianuais. 
  1. Adaptar os critérios de procurement à realidade do mercado, combinando créditos de evitação de custo eficiente com remoções duráveis, sem depender de uma única etiqueta de qualidade. 
  1. Comunicar de forma transparente e fundamentada, reportando anualmente como os créditos se integram na estratégia global e evitando afirmações de “neutralidade” não totalmente verificáveis. 

2026 Carbon Market Buyer’s Guide pretende servir como uma referência para organizações que procuram navegar um mercado cada vez mais complexo e que poderá desempenhar um papel decisivo no financiamento da ação climática global. 

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