
A secção “Energy and environment” do relatório Energy in Europe – 2026 edition, publicado pelo Eurostat, traça um retrato claro da evolução energética e ambiental na União Europeia. Os dados revelam avanços consistentes na redução das emissões, mas também evidenciam que o ritmo da transição ainda está aquém do necessário para cumprir as metas climáticas.
Um dos sinais mais positivos é a redução das emissões de gases com efeito de estufa. Entre 1990 e 2023, a União Europeia conseguiu uma diminuição de 36%, refletindo o impacto de políticas ambientais e mudanças no sistema energético. Ainda assim, os objetivos são exigentes: reduzir pelo menos 55% até 2030, atingir uma redução de 90% até 2040 e alcançar a neutralidade climática em 2050.
Apesar deste progresso, o setor dos transportes continua a ser um dos principais obstáculos. Em 2023, foi responsável por 30% das emissões totais, tornando-se o maior contribuinte, à frente do consumo energético fora dos transportes (26%) e das indústrias de produção de energia (24%). Este dado reforça a necessidade de acelerar a descarbonização da mobilidade.
Ao mesmo tempo, a natureza desempenha um papel relevante na mitigação das emissões. O setor de uso do solo, alterações do uso do solo e florestas compensou cerca de 6 a 7% das emissões na UE em 2023, funcionando como um importante sumidouro de carbono, embora com diferenças significativas entre países.
No que diz respeito às energias renováveis, o crescimento é evidente, mas ainda insuficiente face às metas. Em 2024, estas fontes representaram 25% do consumo final de energia, quase triplicando face a 2004. No entanto, a meta europeia aponta para pelo menos 42,5% até 2030, o que implica uma aceleração significativa. A estrutura atual continua dominada pela biomassa e biocombustíveis (53%), seguidos pela energia eólica, hídrica e solar.
Também a eficiência energética apresenta progressos moderados. Em 2024, o consumo de energia primária situou-se em 1 209 Mtoe, menos 9% do que em 2014, enquanto o consumo final atingiu 901 Mtoe, uma redução de apenas 2%. Apesar desta evolução, a União Europeia ainda está longe dos objetivos definidos para 2030, mantendo-se cerca de 22% acima da meta no consumo primário e 18% no consumo final.
E em Portugal?
No nosso país o padrão segue a tendência europeia, mas com algumas especificidades relevantes. O país tem registado uma forte incorporação de energias renováveis no sistema elétrico, frequentemente acima da média da União, impulsionada pela energia hídrica, eólica e solar. No entanto, tal como no conjunto da UE, o setor dos transportes continua a representar um dos principais desafios à descarbonização, mantendo uma elevada dependência de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, o consumo energético per capita permanece abaixo da média europeia, refletindo um perfil menos intensivo, mas também características estruturais da economia.
Em síntese, os dados mostram uma União Europeia em transição, com resultados positivos na redução de emissões e no crescimento das energias renováveis. No entanto, persistem desafios estruturais, sobretudo na eficiência energética e na descarbonização dos transportes.
Consulte o relatório completo Energy in Europe – 2026 edition aqui



