As tempestades intensas que marcaram os últimos meses voltaram a colocar a energia no centro do debate. Mais do que episódios pontuais, estes fenómenos extremos expõem fragilidades estruturais e levantam questões críticas sobre a capacidade de resposta da rede elétrica num contexto de transição energética.
É neste enquadramento que surge esta conversa com Ana Margarida Sousa, Professora Auxiliar, IST e Diretora Executiva, APE. Com um percurso que cruza a engenharia, a investigação e a política pública, a entrevistada oferece uma perspectiva informada sobre os desafios que o setor enfrenta.
Ao longo da entrevista, reflete-se sobre o impacto dos eventos climáticos extremos na rede elétrica portuguesa e questiona-se até que ponto estes episódios poderiam ser mitigados. A discussão estende-se às soluções possíveis, desde o reforço das infraestruturas à adoção de tecnologias mais resilientes, e ao inevitável equilíbrio entre investimento e custo para o consumidor.
Num momento em que a eletrificação da economia é vista como um pilar da descarbonização, surge também uma questão central: estaremos a aumentar a nossa vulnerabilidade ao depender cada vez mais da eletricidade? Ou, pelo contrário, é precisamente através da inovação e diversificação das fontes energéticas que se constrói resiliência?
A conversa abre ainda espaço para olhar para o futuro das energias renováveis em Portugal, com destaque para o potencial ainda por explorar da energia geotérmica, bem como para o papel das barragens e da gestão hídrica num sistema energético mais sustentável.
Por fim, numa escala mais urbana, discutem-se os desafios que as cidades enfrentam no caminho para a neutralidade climática, onde a energia, a infraestrutura e o planeamento territorial se cruzam de forma decisiva.
Mais do que um diagnóstico, esta entrevista propõe uma reflexão: como preparar o sistema energético para um futuro cada vez mais incerto e, inevitavelmente, mais exigente.
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