
A transição energética global continua a seguir uma linha ascendente. Em 2025, as energias renováveis passaram a representar 49% da capacidade total instalada de produção de eletricidade no mundo, segundo o relatório mais recente da International Renewable Energy Agency (IRENA). O crescimento foi impulsionado sobretudo pela energia solar e eólica, que continuam a liderar a expansão do setor.
Crescimento recorde num só ano
De acordo com o relatório, 2025 registou o maior aumento anual de capacidade renovável de sempre, com a adição de 692 gigawatts (GW), um crescimento de cerca de 15,5% face ao ano anterior.
A energia solar foi responsável por quase três quartos deste aumento, com 510 GW adicionados, enquanto a energia eólica contribuiu com 159 GW.
Este ritmo consistente confirma a crescente competitividade das energias limpas face às fontes fósseis, num contexto de pressão para reduzir emissões e garantir segurança energética.
Expansão desigual entre regiões
Apesar do crescimento global, o relatório alerta para fortes desigualdades regionais na transição energética. A China, os Estados Unidos e a União Europeia concentraram cerca de 79,5% da nova capacidade instalada em 2025, evidenciando uma forte concentração geográfica do investimento. Em contraste, o continente africano representou apenas 1,6% das novas instalações, apesar de ter registado o seu maior crescimento anual até à data.
Esta disparidade levanta preocupações sobre o acesso equitativo à energia limpa e o risco de aprofundamento das desigualdades energéticas a nível global.
Portugal acompanha tendência europeia
No contexto europeu, países como Portugal continuam a reforçar a sua aposta em energias renováveis. No entanto, existem diferenças entre os países do sul (como Portugal e Espanha), com um forte crescimento solar, e os do norte, onde há um maior peso da energia eólica.
No caso de Portugal, os dados indicam uma evolução consistente da capacidade instalada ao longo da última década, refletindo políticas de investimento e metas climáticas alinhadas com a União Europeia.
Embora o relatório não destaque o país como caso isolado, Portugal integra o grupo de economias europeias que têm contribuído para o aumento global da capacidade renovável.
Desafios da próxima fase
Apesar dos avanços, a IRENA alerta que o atual ritmo de crescimento pode não ser suficiente para cumprir os objetivos climáticos internacionais.
Entre os principais desafios estão:
- a necessidade de acelerar ainda mais a instalação de capacidade renovável
- garantir maior flexibilidade das redes elétricas
- adaptar os sistemas energéticos à variabilidade de fontes como solar e eólica
O relatório sublinha que a transição energética não depende apenas da expansão da capacidade, mas também de investimentos em infraestrutura e planeamento estratégico.
Com quase metade da capacidade elétrica global já baseada em fontes renováveis, o sistema energético mundial aproxima-se de um ponto de viragem. Ainda assim, o caminho para uma matriz energética totalmente sustentável permanece desigual e exigente, sendo essencial cooperação internacional e políticas públicas mais ambiciosas.



