
Um novo relatório do McKinsey Global Institute, intitulado “Advancing Adaptation: Mapping Costs from Cooling to Coastal Defenses”, analisa os custos globais da adaptação às alterações climáticas e identifica as principais medidas necessárias para proteger populações, infraestruturas e economias.
O estudo conclui que os custos de adaptação poderão aumentar significativamente nas próximas décadas, à medida que os impactos climáticos se intensificam. Se o aumento da temperatura global atingir cerca de 2 °C até 2050, o investimento anual necessário para proteger sociedades e economias poderá atingir 1,2 biliões de dólares, mais de seis vezes o nível atual de investimento.
O relatório analisa 20 medidas de adaptação, que incluem desde soluções urbanas para o calor até infraestruturas de proteção costeira, e estima os custos associados a diferentes riscos climáticos, como ondas de calor, secas, incêndios florestais e inundações.
Um défice global de resiliência
Segundo o estudo, o mundo enfrenta atualmente um “défice de resiliência”. Embora existam soluções técnicas para enfrentar muitos riscos climáticos, uma grande parte da população continua sem proteção adequada.
Estima-se que cerca de um bilião de pessoas esteja protegida por pelo menos uma medida de adaptação, enquanto três biliões permanecem expostas a riscos climáticos sem proteção suficiente. Este défice é particularmente acentuado em regiões de baixos rendimentos, onde a capacidade de investimento em infraestruturas resilientes é menor.
À medida que o aquecimento global se aproxima dos 2 °C acima dos níveis pré-industriais, mais regiões e populações passarão a estar expostas a riscos climáticos.
De acordo com o relatório:
- até 8,9 mil milhões de pessoas poderão viver em áreas expostas a riscos climáticos até 2050;
- os fenómenos extremos, como ondas de calor, secas e inundações, tornar-se-ão mais frequentes e intensos;
- eventos que atualmente ocorrem raramente poderão tornar-se muito mais frequentes, como inundações costeiras que hoje ocorrem uma vez em 100 anos e poderão ocorrer a cada 13 anos.
Cidades no centro dos custos de adaptação
As cidades terão um papel central na adaptação climática. O relatório destaca que entre 60% e 80% dos custos de adaptação em áreas urbanas estão relacionados com a proteção contra o stress térmico, refletindo a elevada concentração populacional e o aumento das ondas de calor nas áreas urbanas.
Entre as medidas urbanas analisadas encontram-se:
- telhados refletivos (“cool roofs”)
- aumento de árvores urbanas
- sistemas de alerta precoce
- redes de drenagem urbana
- abrigos de arrefecimento para ondas de calor
- sistemas de arrefecimento ativo, como ar condicionado e ventiladores.
Apesar dos custos elevados, o relatório conclui que investir em adaptação é economicamente vantajoso. Em média, as medidas analisadas podem gerar benefícios cerca de sete vezes superiores ao investimento, devido aos danos evitados em infraestruturas, saúde e produtividade económica.
Mais de 80% das medidas avaliadas apresentam benefícios superiores a três vezes os seus custos, demonstrando que a adaptação pode ser uma estratégia altamente eficiente do ponto de vista económico.
Exemplos de cidades em adaptação
O relatório apresenta também casos concretos de adaptação urbana.
Ahmedabad, Índia
A cidade de Ahmedabad, com cerca de sete milhões de habitantes, implementou um plano de ação para ondas de calor após uma vaga de calor em 2010 que causou mais de 1 300 mortes. Entre as medidas adotadas estão:
- sistemas de alerta precoce para calor extremo
- criação de centros de arrefecimento e hidratação
- pintura de telhados refletivos em milhares de habitações.
Rio de Janeiro, Brasil
Na região da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, iniciativas locais têm restaurado mangais costeiros para reduzir a erosão e proteger comunidades contra inundações e tempestades costeiras. Até 2024, mais de 30 000 mudas de mangue foram plantadas em cerca de 12 hectares, criando uma barreira natural contra tempestades.
Planeamento ainda é limitado
Apesar da crescente consciencialização sobre a necessidade de adaptação, o planeamento ainda é limitado. O relatório indica que 141 países já possuem planos nacionais de adaptação, mas apenas uma parte inclui prioridades claras e estimativas detalhadas de custos.
O estudo conclui que a adaptação climática se tornará um dos principais desafios económicos e políticos das próximas décadas. À medida que os riscos climáticos aumentam, governos, cidades e empresas terão de decidir como priorizar investimentos para proteger populações, infraestruturas e atividades económicas.
Segundo os autores, compreender os custos e benefícios das medidas de adaptação é essencial para orientar políticas públicas e garantir que as sociedades conseguem responder de forma eficaz aos impactos das alterações climáticas.



