Frotas empresariais em Portugal: elétricos já representam 40% dos veículos de passageiros 

A eletrificação das frotas empresariais em Portugal está a avançar a um ritmo que poucos antecipavam. Em apenas três anos, a proporção de veículos de passageiros eletrificados, incluindo 100% elétricos e híbridos plug-in, passou de 13% para 40%. Num universo de cerca de 10 mil veículos de passageiros analisados, isso significa que aproximadamente 4 mil já não dependem exclusivamente de combustíveis fósseis. 

Os dados constam do Car Policy Benchmark 2025, promovido pela Ayvens, que analisou as políticas e práticas de cerca de 400 empresas de 11 setores de atividade, representando uma frota de aproximadamente 12 mil veículos e mais de 425 milhões de quilómetros percorridos anualmente. 

Veículos comerciais também acompanham a tendência 

A transição não se limita aos veículos de passageiros. Nos veículos de mercadorias, a eletrificação passou de 1% em 2022 para 10% em 2025, um crescimento modesto em valores absolutos, mas expressivo enquanto sinal de mudança num segmento historicamente mais resistente à transição. 

O índice global de eletrificação das frotas, que mede a maturidade das políticas das empresas nesta matéria, subiu 7 pontos percentuais, de 45% para 52%, refletindo uma maior preparação e consciência das oportunidades associadas à mobilidade elétrica. 

Gestão de frotas torna-se mais profissional e estruturada 

Para além da eletrificação, o estudo revela uma evolução significativa na forma como as empresas gerem as suas frotas. Mais de 96% das organizações analisadas já dispõem de políticas formalizadas, com um grau médio de completude de 75%. 

A utilização do custo total de utilização (metodologia que agrega todas as despesas associadas a um veículo ao longo da sua vida útil) como critério de decisão cresceu de 73% para 83% das empresas entre 2022 e 2025. Mesmo nas frotas de menor dimensão, 80% já recorrem a esta abordagem. 

Outro indicador relevante é a duração média dos contratos de renting, que aumentou de 47 para 51 meses. Contratos mais longos permitem aceder a rendas mais competitivas, e a fatia de organizações que já contrata por cinco anos ou mais passou de 9% para 31%. 

Os condutores: mais abertos à mudança do que se pensa 

O estudo ouviu mais de 3 mil colaboradores que utilizam veículos de frota. Atualmente, 38% já conduzem veículos eletrificados, mais do dobro face aos 17% registados em 2022. Destes, 25% utilizam veículos 100% elétricos e 13% híbridos plug-in. 

Os principais obstáculos identificados são a autonomia dos veículos elétricos (31%), a insuficiência da rede pública de carregamento (26%), a necessidade de maior planeamento em viagens longas (23%) e o investimento inicial mais elevado (14%). 

Ainda assim, metade dos inquiridos afirma estar disposta a transitar já para um veículo 100% elétrico, e 25% para um híbrido plug-in, o que representa um potencial de transição adicional próximo dos 40%. 

O retrato traçado pelo Car Policy Benchmark 2025 aponta para uma mudança de paradigma: a gestão de frotas deixou de ser uma função meramente operacional para se tornar um instrumento estratégico que articula objetivos económicos, responsabilidade ambiental e políticas de recursos humanos.