Cidades pelo Clima reúne municípios em Guimarães para debater os bairros de energia limpa no âmbito do projeto ASCEND

Guimarães acolheu, no passado dia 28 de abril, uma sessão de trabalho que reuniu diversos municípios nacionais, dedicada à criação de bairros de energia limpa e positiva em Portugal.

A iniciativa, que teve lugar no Palácio Vila Flor, foi promovida pela Energy Cities em cooperação com a Cidades pelo Clima, a ADENE e a Agência de Energia do Porto, e decorreu como evento paralelo ao Fórum Anual da Energy Cities. O programa centrou-se na apresentação e discussão de soluções em curso no âmbito do projeto ASCEND — Accelerating Positive Clean Energy Districts —, financiado pelo programa Horizonte Europa, que visa acelerar a descarbonização urbana partindo da escala de bairro.

Simon Dujardin (Energy Cities)

O ASCEND parte de uma ideia simples, mas ambiciosa: a transição energética das cidades começa no bairro. O projeto trabalha com cidades europeias para desenvolver e implementar bairros de energia limpa e positiva, ou seja, territórios capazes de produzir energia através de soluções de autoconsumo coletivo que integram eficiência energética e envolvimento ativo das populações locais. Em Portugal, o Porto tem sido o laboratório desta experiência, com soluções já em implementação que mostram o que é possível quando há vontade política, parceiros técnicos e enquadramento europeu.

Simon Dujardin, da Energy Cities, abriu a sessão com uma introdução ao projeto e aos seus objetivos. Sofia Cordeiro, da ADENE, apresentou o enquadramento do Pacto de Autarcas, e José Campos (ADENE) falou das ferramentas disponibilizadas para as comunidades de energia e reabilitação de edifícios.

Maria João Rodrigues, coordenadora executiva da rede, apresentou a Cidades pelo Clima, que reúne municípios e regiões empenhados na neutralidade climática.

Maria João Rodrigues (Cidades pelo Clima)

Em destaque estiveram as soluções já em implementação na cidade do Porto, apresentadas por Ana Silva, da Agência de Energia do Porto, que têm servido de referência no contexto do projeto. Na zona de Lordelo do Ouro, que combina uma das zonas mais afluentes do Porto, a Foz do Douro, o projeto prevê a instalação de 15 sistemas de energia renovável e uma redução de emissões de 936 toneladas de CO₂ por ano. Em 2025, arrancou a implementação de painéis fotovoltaicos em dois bairros de habitação social com mais de 500 fogos, com uma capacidade instalada de 854 kWp, e foram concluídas 100 auditorias energéticas em habitações sociais. O projeto aposta ainda na mobilidade elétrica, na literacia energética junto de populações vulneráveis e no desenvolvimento de uma plataforma digital para simular a partilha de energia entre os membros da futura comunidade de energia renovável.

Ana Silva (Agência de Energia do Porto)

A sessão incluiu ainda uma discussão sobre soluções de autoconsumo coletivo, legislação, boas práticas e iniciativas de trabalho colaborativo no domínio das políticas climáticas municipais.