Emissões globais de CO₂ atingem novo recorde: relatório divulgado durante a COP30 alerta que 1,5°C está fora de alcance 

As emissões globais de dióxido de carbono provenientes de combustíveis fósseis deverão atingir um novo máximo histórico em 2025. A conclusão é do mais recente Global Carbon Budget, divulgado pelo Global Carbon Project (GCP) em simultâneo com a COP30, que decorre em Belém do Pará, no Brasil. O relatório, elaborado por mais de 130 investigadores internacionais, confirma que o mundo continua a afastar-se das metas definidas no Acordo de Paris. 

Subida de 1,1% empurra emissões para 38,1 Gt de CO₂ 

Segundo o estudo, as emissões provenientes do carvão, petróleo e gás deverão subir 1,1% face a 2024, alcançando 38,1 mil milhões de toneladas de CO₂, um valor recorde. É um crescimento superior à média da última década (0,8%) e que coloca as emissões fósseis 10% acima dos níveis registados em 2015, quando o Acordo de Paris foi adotado. 

Os números mostram aumentos em todas as principais fontes fósseis: 

  • Carvão: +0,8% 
  • Petróleo: +1% 
  • Gás natural: +1,3% 

EUA e UE aumentam emissões; China estabiliza, mas com incerteza 

O relatório revela ainda que as emissões sobem nos Estados Unidos (+1,9%), na União Europeia (+0,4%), e na China (+0,4%)

Uma das conclusões mais preocupantes diz respeito ao chamado “orçamento de carbono” para limitar o aquecimento global a 1,5°C. Segundo o GCP, restam cerca de 170 gigatoneladas de CO₂, o equivalente a apenas quatro anos de emissões ao ritmo atual

“A meta de 1,5°C é, na prática, impossível sem ultrapassagem”, afirma Pierre Friedlingstein, investigador principal do estudo, citado pelo jornal Nature, que publicou uma análise ao relatório no dia da sua apresentação. 

COP30 ganha peso político perante dados alarmantes 

A divulgação do Global Carbon Budget 2025 durante a COP30 acrescenta pressão às negociações internacionais, especialmente nos capítulos dedicados à eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, ao financiamento climático e ao reforço das políticas de adaptação. 

Para países, cidades e regiões, o relatório reforça a urgência de acelerar estratégias de mitigação e de incorporar métricas de redução de emissões nos seus planos climáticos. 

Fontes