ISQ e UHY analisam o estado do financiamento sustentável e alertam para desafios na implementação de critérios ESG 

O estudo Financiamento Sustentável nas PME Portuguesas, desenvolvido em estreita colaboração entre o ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade e a UHY, apresenta uma análise ao estado das práticas de finanças sustentáveis. 

O documento enquadra-se na crescente relevância das finanças sustentáveis, num contexto em que empresas e instituições são chamadas a integrar critérios ambientais, sociais e de governação (ESG) nas suas estratégias e decisões financeiras. 

Segundo o estudo, a evolução regulatória europeia e internacional tem vindo a reforçar a necessidade de maior transparência, reporte e alinhamento com princípios de sustentabilidade. Este novo enquadramento está a alterar a forma como o financiamento é estruturado, avaliado e monitorizado. 

Integração de critérios ESG 

O relatório sublinha que a integração de critérios ESG deixou de ser apenas uma tendência voluntária para assumir um carácter cada vez mais estruturante. As organizações são incentivadas — e, em muitos casos, obrigadas — a demonstrar de que forma incorporam preocupações ambientais e sociais nas suas operações e decisões de investimento. 

A análise evidencia que o financiamento sustentável pode representar uma oportunidade estratégica, ao permitir alinhar crescimento económico com mitigação de riscos ambientais e reputacionais. 

Desafios identificados 

Entre os principais desafios destacados no documento estão: 

  • A complexidade do enquadramento regulatório; 
  • A necessidade de capacitação técnica das organizações; 
  • A importância de métricas claras e consistentes para avaliação de impacto; 
  • A adaptação dos modelos de negócio às exigências de sustentabilidade. 

O estudo destaca a importância de indicadores-chave de desempenho (KPIs) claros e mensuráveis para garantir credibilidade e comparabilidade. Entre os principais indicadores referidos no enquadramento das finanças sustentáveis estão: 

  • Percentagem de receitas alinhadas com critérios ESG; 
  • Volume de investimento classificado como sustentável; 
  • Redução de emissões de gases com efeito de estufa (tCO₂e); 
  • Intensidade carbónica por unidade de produção ou receita; 
  • Consumo de energia e percentagem de energia renovável utilizada; 
  • Indicadores sociais, como diversidade, segurança no trabalho e impacto nas comunidades; 
  • Qualidade e abrangência do reporte não financeiro. 

A definição destes KPIs é apontada como essencial para medir impacto real, evitar práticas de “greenwashing” e assegurar alinhamento com as exigências regulamentares europeias. 

Medidas concretas recomendadas 

O relatório identifica um conjunto de ações prioritárias para reforçar a eficácia do financiamento sustentável: 

1. Estruturar sistemas internos de reporte 

Implementar processos formais de recolha e validação de dados ESG, garantindo consistência, auditabilidade e comparabilidade. 

2. Integrar sustentabilidade na governação 

Incorporar objetivos ESG nos órgãos de decisão e associar metas ambientais e sociais a indicadores de desempenho da gestão. 

3. Capacitação técnica 

Reforçar competências internas em matérias de regulamentação, taxonomia europeia e avaliação de risco climático. 

4. Avaliação de risco climático e ambiental 

Integrar riscos físicos e de transição nos modelos de análise financeira e de investimento. 

5. Alinhamento estratégico 

Adaptar modelos de negócio para garantir coerência entre estratégia corporativa, financiamento e objetivos de sustentabilidade. 

Sustentabilidade como fator de competitividade 

O estudo conclui que a adoção estruturada de KPIs e medidas concretas não deve ser vista apenas como resposta a obrigações regulatórias. Trata-se de um elemento diferenciador num mercado cada vez mais sensível ao desempenho ambiental e social das organizações. 

Ao sistematizar indicadores e propor linhas de ação claras, ISQ e UHY reforçam a mensagem central do relatório: a consolidação do financiamento sustentável depende da capacidade das organizações em medir, reportar e demonstrar impacto de forma objetiva e verificável. 

Num cenário de transformação económica acelerada, quem conseguir traduzir sustentabilidade em métricas concretas estará melhor preparado para captar investimento, mitigar riscos e assegurar crescimento de longo prazo. 

Leia o relatório na íntegra aqui