
Em maio de 2024, nascia a Cidades pelo Clima, uma iniciativa colaborativa criada por municípios e regiões portuguesas comprometidos com a neutralidade climática e alinhados com a Missão Europeia “100 cidades climaticamente neutras e inteligentes até 2030, por e para os cidadãos”. Hoje, a rede afirma-se como uma plataforma nacional de governação multinível, experimentação e cooperação territorial para acelerar a ação climática local.
A Cidades pelo Clima reúne atualmente 22 membros — 20 municípios e duas comunidades intermunicipais — que trabalham em conjunto para desenvolver soluções urbanas inovadoras, partilhar conhecimento e transformar desafios climáticos em oportunidades de ação concreta. A Cidades pelo Clima funciona como um ecossistema colaborativo que liga municípios, academia, entidades públicas, especialistas e parceiros europeus numa lógica de aprendizagem coletiva e implementação prática.
A entrada de Florianópolis na Cidades pelo Clima, enquanto membro observador, em 2025, marcou o início da abertura da rede ao espaço lusófono e reforçou a dimensão internacional da iniciativa. Esta integração impulsionou uma dinâmica ativa de cooperação e partilha de conhecimento, traduzida em várias missões técnicas, encontros institucionais e intercâmbios entre Portugal e Brasil, envolvendo elementos do Secretariado Técnico da rede, representantes da Universidade Federal de Santa Catarina e responsáveis políticos locais.
Uma estrutura colaborativa e multinível
A governação da rede assenta num modelo participativo e multinível, estruturado através da Assembleia Geral, eleita pelos membros de dois em dois anos, Conselho Coordenador e Conselho Consultivo.
O Conselho Consultivo integra especialistas e entidades de diferentes áreas estratégicas, reforçando a ligação entre ciência, políticas públicas e implementação local. Paralelamente, o Secretariado Técnico reúne uma equipa multidisciplinar dedicada às áreas da energia, mobilidade, edifícios, remoção de carbono, contratos e financiamento climático.
Ao longo destes dois anos, a rede consolidou também uma forte dimensão de cooperação multinível e internacional, através da participação em iniciativas europeias como o NetZeroCities, o projeto CapaCITIES e plataformas congéneres europeias, como a CitiES e a Viable Cities, dedicadas à neutralidade climática.
No dia 9 de janeiro de 2026, em Guimarães, a Cidades pelo Clima promoveu uma reunião de alto nível com a Comissão Europeia, no âmbito da Missão Europeia das Cidades Climaticamente Neutras e Inteligentes, reunindo decisores políticos nacionais e representantes europeus para discutir o papel das cidades portuguesas na transição para a neutralidade climática.
Policy Labs, capacitação e ação colaborativa
Um dos pilares centrais da atividade da Cidades pelo Clima tem sido o desenvolvimento de grupos de trabalho temáticos, verdadeiros policy labs colaborativos, focados em Energia, Edifícios, Mobilidade e Remoção de Carbono.
Nestes espaços são cocriadas medidas de política pública, ferramentas técnicas e estratégias urbanas assentes em evidência científica e modelação urbana. Desde 2024, foram realizadas 67 sessões de trabalho, 11 webinars só para membros, visitas técnicas e exercícios colaborativos, envolvendo centenas de participações de técnicos municipais, investigadores e especialistas.
Entre os temas trabalhados destacam-se:
- Comunidades de energia renovável;
- Reabilitação energética de edifícios;
- Mobilidade urbana climaticamente neutra;
- Soluções baseadas na natureza;
- Estratégias de remoção de carbono;
- Inventários municipais de emissões;
- Contratos Climáticos e financiamento climático.
A rede promoveu ainda sessões de capacitação e eventos dedicados à partilha de conhecimento técnico e científico, reforçando a capacidade dos municípios para desenvolver e implementar políticas climáticas alinhadas com os objetivos europeus.
Conhecimento, inovação e impacto territorial
A Cidades pelo Clima tem vindo também a apoiar o desenvolvimento de ferramentas e metodologias de apoio à decisão. Entre elas destaca-se o MEM+, plataforma que disponibiliza inventários municipais de gases com efeito de estufa para Portugal continental, e os Gémeos Digitais urbanos desenvolvidos para apoiar a modelação de cenários de neutralidade climática.
Em paralelo, a rede tem participado em projetos de inovação e colaboração científica internacional, contribuindo para aproximar investigação aplicada e implementação territorial.
A Cidades pelo Clima organizou, em 2025, em Matosinhos, a sua primeira Conferência Internacional, reunindo representantes de municípios, especialistas, decisores políticos, investigadores e parceiros nacionais e europeus para debater os principais desafios e oportunidades da transição climática urbana. O evento afirmou-se como um espaço de reflexão estratégica, partilha de boas práticas e construção de soluções colaborativas, reforçando o posicionamento da rede no panorama nacional e europeu da ação climática local.
No próximo dia 2 de julho, Lisboa recebe a segunda edição da Conferência Internacional Cidades pelo Clima, que irá voltar a colocar em destaque o papel dos municípios na aceleração da ação climática, promovendo o diálogo entre cidades, instituições, academia e sociedade civil em torno de soluções concretas para territórios mais resilientes, inclusivos e sustentáveis.
Paralelamente, a Cidades pelo Clima esteve presente em múltiplos eventos nacionais e internacionais, como convidada ou coorganizadora, ligados à sustentabilidade urbana, transição energética e resiliência climática, contribuindo para posicionar os municípios portugueses em redes de conhecimento e cooperação europeia. A participação em conferências, fóruns, webinars e encontros internacionais permitiu reforçar a articulação com iniciativas europeias e acompanhar boas práticas e tendências emergentes no domínio da ação climática local.
A comunicação e disseminação de conhecimento assumiram igualmente um papel central neste percurso. Através do website, newsletters, redes sociais, campanhas digitais e conteúdos técnicos, a iniciativa tem procurado tornar a ação climática mais acessível, próxima e mobilizadora, valorizando o trabalho desenvolvido pelos municípios e promovendo uma cultura de participação e envolvimento coletivo.
Dois anos a construir uma comunidade de ação climática
A Cidades pelo Clima afirma-se hoje como uma comunidade de prática e ação, centrada na cooperação territorial, na capacitação técnica e na construção de soluções concretas para os desafios climáticos locais.
Dois anos depois do arranque, o caminho feito demonstra a importância de criar espaços permanentes de articulação, aprendizagem e experimentação. Os próximos anos serão decisivos para transformar ambição climática em implementação concreta e essa transformação dependerá, cada vez mais, da capacidade de trabalhar em rede, mobilizar conhecimento e envolver comunidades.



