
O Município de Abrantes aprovou, por maioria, a celebração de um contrato interadministrativo com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) para delegação de competências necessárias à criação de um sistema de autoconsumo coletivo no Médio Tejo e à constituição de três Comunidades de Energia Renovável (CER) no concelho.
A decisão foi tomada na reunião do Executivo de 13 de fevereiro e representa mais um passo na estratégia local de transição energética, alinhada com os objetivos da Cidades pelo Clima, da qual Abrantes é município membro.
O modelo agora aprovado prevê que seja a CIMT a lançar o concurso público conjunto para os vários municípios da região, ficando posteriormente a gestão operacional a cargo de uma entidade responsável por acompanhar consumos e equilibrar a distribuição de energia entre comunidades.
Três comunidades para responder à dimensão do concelho
No caso de Abrantes, estão previstas três CER, número ajustado à dimensão territorial e às necessidades energéticas locais. A prioridade será o abastecimento de edifícios públicos, funcionando as comunidades como complemento à rede elétrica convencional.
O objetivo é claro: reduzir custos operacionais. Ao produzir e consumir energia localmente, eliminam-se encargos associados ao transporte, ao acesso à rede e a alugueres de ligação, o que poderá traduzir-se numa energia mais competitiva para o município e, potencialmente, para empresas que se instalem na região.
Segundo o estudo preliminar apresentado, foi simulada uma projeção de poupanças num horizonte de 20 anos. Ainda assim, o executivo considera que o retorno financeiro poderá ocorrer num prazo inferior, embora reconheça que fatores como variações climáticas influenciam a produção, sobretudo em meses de menor radiação solar.
Funcionamento em rede e equilíbrio regional
Um dos aspetos centrais do modelo passa pelo funcionamento em rede entre os municípios do Médio Tejo. Sempre que haja excedentes de produção num concelho, estes poderão compensar necessidades noutro, promovendo uma gestão energética mais eficiente à escala intermunicipal.
As comunidades não terão, numa fase inicial, sistemas de armazenamento com baterias. Assim, a energia produzida será consumida de forma imediata, privilegiando entidades com maior atividade durante o período diurno.
Instalação maioritariamente em coberturas
A implantação das CER dará prioridade à utilização de coberturas de edifícios e estruturas já existentes, como equipamentos municipais ou sombreamentos de parques de estacionamento. Esta opção permite reduzir custos de instalação, minimizar impacto visual e evitar a ocupação de solos com outras potencialidades.
A utilização de terrenos será considerada apenas em último recurso.
O processo segue agora para apreciação e votação na Assembleia Municipal.
Com esta decisão, Abrantes reforça o seu compromisso com a produção descentralizada de energia renovável, a redução de emissões e a construção de um modelo energético mais resiliente, princípios alinhados com a ação climática local e com os objetivos da transição energética à escala regional.



