
A transição energética está a ganhar um novo impulso no concelho da Figueira da Foz, com a criação de um projeto comunitário que pretende democratizar o acesso à produção de energia limpa. A iniciativa, promovida pela Coopérnico – Cooperativa de Desenvolvimento Sustentável em parceria com o município, convida cidadãos, empresas e instituições locais a participar na produção e partilha de eletricidade renovável.
Este projeto surge alinhado com a estratégia climática local e com a participação do município na iniciativa Cidades pelo Clima, reforçando o compromisso da autarquia com a descarbonização e com modelos energéticos mais sustentáveis e participativos.
Energia acessível para todos
O projeto, denominado “Energia acessível para todos”, prevê a instalação de uma central fotovoltaica num terreno cedido pela Câmara Municipal. A energia produzida será partilhada pelos participantes, permitindo que moradores, empresas e organizações locais tenham acesso a eletricidade renovável gerada no próprio território.
O objetivo é claro: reduzir custos, aumentar a autonomia energética e acelerar a transição para fontes renováveis. Estima-se que os participantes possam alcançar poupanças superiores a 40% na fatura de eletricidade, comparativamente à tarifa regulada.
Além da redução de custos, a iniciativa procura estimular um modelo de produção descentralizado, no qual a energia deixa de ser exclusivamente fornecida por grandes operadores e passa a ser também produzida e gerida pela própria comunidade.
Um modelo coletivo e democrático
Numa fase inicial, o projeto funcionará através do regime de autoconsumo coletivo, que permite que a energia gerada por uma instalação renovável seja partilhada entre vários consumidores. Este modelo facilita a participação de quem não possui condições para instalar painéis solares individualmente, como moradores em apartamentos ou empresas sem espaço próprio para produção energética.
A médio prazo, o objetivo é evoluir para uma Comunidade de Energia Renovável (CER), uma entidade jurídica prevista na legislação europeia e portuguesa que permite aos seus membros produzir, consumir, partilhar e até comercializar energia renovável.
Estas comunidades têm como princípio fundamental a participação local e a gestão democrática, garantindo que os benefícios económicos, ambientais e sociais permanecem no território.
Investimento local com impacto no território
O projeto prevê a instalação de uma central fotovoltaica em terrenos municipais localizados em Vale de Murta, com cerca de 11,6 hectares, cedidos pelo município para o efeito. O investimento estimado ronda 3,7 milhões de euros, e a produção energética prevista poderá atingir cerca de 10.570 MWh por ano, energia suficiente para abastecer aproximadamente 2.600 famílias.
Esta produção local de eletricidade contribuirá não apenas para reduzir custos energéticos, mas também para diminuir emissões de dióxido de carbono e reforçar a independência energética do concelho.
A participação da população é um elemento central deste projeto. A Coopérnico lançou uma página online onde os interessados podem conhecer melhor a iniciativa e manifestar interesse em aderir.
Estão também previstas sessões de apresentação e esclarecimento nas juntas de freguesia do concelho, com o objetivo de explicar o funcionamento da comunidade energética e incentivar a adesão de famílias, associações e empresas.
Um passo na transição energética local
Com esta iniciativa, a Figueira da Foz reforça a aposta em soluções inovadoras para enfrentar os desafios das alterações climáticas e da crise energética. Ao promover um modelo colaborativo de produção de energia renovável, o município não só contribui para a redução das emissões e para a sustentabilidade ambiental, como também cria novas oportunidades económicas e sociais para a comunidade local.
A criação de uma comunidade de energia renovável representa, assim, um passo importante rumo a um sistema energético mais descentralizado, participativo e sustentável, no qual o investimento é partilhado e os benefícios regressam diretamente aos cidadãos.



