União Europeia quer reduzir emissões dos edifícios apostando numa nova abordagem  

A Comissão Europeia apresentou um novo documento estratégico que propõe uma mudança profunda na forma como a Europa encara o impacto ambiental dos edifícios, defendendo uma abordagem baseada no “ciclo de vida completo” para acelerar a descarbonização do setor. 

O relatório, publicado em março de 2026, sublinha que os edifícios continuam a ser um dos principais responsáveis pelas emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia, com cerca de 808 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano associadas ao parque edificado. 

Mais do que energia: o peso dos materiais 

Tradicionalmente, as políticas europeias têm focado a redução das emissões associadas ao consumo energético dos edifícios, como aquecimento e arrefecimento. O novo documento alerta que esta abordagem é insuficiente. 

Cerca de 73% das emissões provêm da utilização dos edifícios, mas 27% estão ligadas ao chamado “carbono incorporado”, isto é, às emissões geradas na produção de materiais, construção, manutenção e demolição. 

Curiosamente, apesar de representarem apenas cerca de 1% da área construída por ano, os novos edifícios são responsáveis por uma fatia significativa dessas emissões, devido ao impacto inicial da construção. 

Renovar em vez de construir 

Entre as principais recomendações está a valorização do património existente. A Comissão defende que renovar e reutilizar edifícios pode ser mais sustentável do que construir novos, reduzindo a necessidade de materiais e energia. 

O documento aponta ainda para o potencial de transformar edifícios devolutos, como escritórios, em habitação acessível, contribuindo simultaneamente para a redução de emissões e para responder à crise habitacional. 

A estratégia europeia assenta em três princípios fundamentais, alinhados com o quadro do IPCC: 

  • Suficiência: melhor utilização dos edifícios existentes 
  • Eficiência: redução do consumo de energia e materiais 
  • Renováveis: uso de fontes de energia e materiais sustentáveis 

Segundo o relatório, só a combinação destas três dimensões permitirá atingir as metas climáticas da União Europeia, incluindo a neutralidade carbónica até 2050. 

Cidades e países já avançam 

Vários Estados-membros, como Dinamarca, França ou Suécia, já começaram a integrar esta abordagem nas suas políticas públicas, incluindo limites às emissões dos edifícios ao longo do seu ciclo de vida. 

Ao nível local, cidades europeias têm apostado na reabilitação urbana e na reutilização de edifícios, com resultados significativos na redução de emissões e custos. 

Além do impacto ambiental, a Comissão destaca que a descarbonização dos edifícios pode reforçar a competitividade europeia, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e estimular a inovação no setor da construção. 

O documento surge assim como um guia para governos, cidades e profissionais, numa altura em que a transição climática exige respostas mais abrangentes e integradas. 

Leia o documento aqui