
A forma como consumimos — o que comemos, como nos deslocamos ou que produtos compramos — tem um impacto direto nas emissões de gases com efeito de estufa. Tornar esse impacto visível e compreensível é um dos maiores desafios para cidades e decisores públicos. É precisamente esse o objetivo do Consumption Compass 2.0, uma ferramenta interativa desenvolvida pelo Stockholm Environment Institute (SEI).
Baseada na realidade sueca, esta plataforma digital permite analisar em detalhe a pegada carbónica associada ao consumo das famílias, cobrindo mais de 100 categorias, desde transportes e alimentação até habitação ou lazer. O resultado é uma leitura granular das emissões ao nível local, que ajuda municípios e regiões a identificar onde estão os maiores impactos e onde as políticas públicas podem ser mais eficazes.
Do diagnóstico à ação
Um dos principais contributos da ferramenta é transformar dados complexos em informação acionável. Ao mostrar, por exemplo, que áreas como transportes e alimentação representam uma parte significativa das emissões individuais, o Consumption Compass permite orientar estratégias concretas, seja na promoção de mobilidade sustentável, na transição alimentar ou na eficiência energética dos edifícios.
Mais do que um instrumento técnico, a ferramenta funciona como ponto de partida para um debate mais amplo sobre padrões de consumo e responsabilidade climática. Para os municípios, representa uma oportunidade de alinhar políticas locais com objetivos climáticos mais ambiciosos, com base em evidência sólida.
Um modelo com potencial de replicação
Embora desenvolvido para a Suécia, o Consumption Compass 2.0 levanta uma questão relevante para outros países: até que ponto as políticas climáticas estão a considerar o impacto do consumo e não apenas da produção?
Num contexto em que as cidades assumem um papel crescente na transição climática, ferramentas deste tipo podem ser decisivas para apoiar decisões mais informadas, direcionar investimentos e envolver cidadãos na mudança de comportamentos.



