Energias renováveis podem gerar 419 mil empregos e acrescentar 32 mil milhões ao PIB português até 2040 

As energias renováveis poderão transformar-se num dos principais motores económicos de Portugal nas próximas décadas. O Estudo de impacto das energias renováveis em Portugal desenvolvido pela APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis em parceria com a EY Portugal estima que o setor possa gerar cerca de 419 mil empregos e contribuir com 32,3 mil milhões de euros para o PIB nacional até 2040

O relatório, que analisa o impacto económico, social e ambiental das energias renováveis em Portugal, conclui que o reforço da produção renovável poderá reduzir significativamente a dependência energética externa, baixar importações de combustíveis fósseis e acelerar a descarbonização da economia. 

PIB, emprego e receita fiscal disparam 

Os números projetados pelo estudo mostram uma evolução expressiva do setor ao longo dos próximos 15 anos. Em 2024, o impacto das fontes de energia renovável no PIB português foi estimado em 5,3 mil milhões de euros. Até 2040, esse valor poderá aumentar para 32,3 mil milhões de euros

No emprego, a projeção é igualmente significativa: 62 mil empregos em 2024; 194 mil em 2030 e 419 mil empregos até 2040. 

O estudo aponta ainda para um forte crescimento das remunerações associadas ao setor, que poderão passar de 1,4 mil milhões de euros em 2024 para 12 mil milhões em 2040. Já a receita fiscal gerada pelas renováveis poderá atingir 10,8 mil milhões de euros até ao final da próxima década. 

Menos dependência energética e menos emissões 

Uma das principais conclusões do relatório prende-se com o impacto das renováveis na segurança energética do país. 

Segundo as estimativas, a integração crescente de eletricidade renovável poderá evitar importações equivalentes a 95.188 GWh em 2040, mais do dobro do valor registado em 2025. Em termos financeiros, isso poderá traduzir-se numa redução de cerca de 7,7 mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis. 

O estudo refere ainda que, sem energias renováveis, a taxa de dependência energética portuguesa poderia atingir 86,3% em 2030. Com a atual trajetória de incorporação renovável, essa taxa poderá ficar nos 56,9%. 

Também ao nível climático os impactos são relevantes. As emissões evitadas de CO₂ equivalente poderão aumentar de 10,8 milhões de toneladas em 2025 para 26,6 milhões de toneladas em 2040. 

Portugal quer posicionar-se como potência renovável 

O relatório defende que Portugal reúne condições particularmente favoráveis para reforçar a sua posição no setor das energias limpas. 

Entre os fatores identificados estão: 

  • abundância de recursos naturais; 
  • mão de obra especializada; 
  • estabilidade política; 
  • investimento crescente em inovação; 
  • desenvolvimento de comunidades de energia; 
  • potencial para exportação de energia verde para a Europa Central. 

Os autores do estudo sublinham ainda que o atual contexto geopolítico internacional, marcado pela guerra na Ucrânia e pelas tensões no Médio Oriente, veio reforçar a importância estratégica das energias renováveis para garantir maior autonomia e estabilidade económica. 

Os dados analisados mostram que Portugal já apresenta uma forte incorporação renovável no sistema elétrico. 

Em 2024: 

  • 66% da eletricidade consumida no país teve origem renovável; 
  • 38,3% do consumo primário de energia foi renovável; 
  • 37,4% do consumo final de energia teve origem renovável. 

A nível europeu, as renováveis representaram 47,5% da produção de eletricidade em 2024, confirmando a aceleração da transição energética no continente. 

Transição energética com impacto territorial 

O estudo destaca ainda o impacto regional do setor. Como muitos projetos renováveis estão localizados fora dos grandes centros urbanos, os investimentos têm contribuído para dinamizar economias locais, criar emprego no interior e reforçar a coesão territorial. 

Além do impacto económico direto, os autores sublinham os efeitos indiretos e induzidos nas cadeias de valor nacionais, desde a construção à manutenção, passando pelos serviços, inovação tecnológica e autoconsumo. 

O relatório conclui que a próxima década será decisiva para consolidar Portugal como uma referência europeia na transição energética, mas alerta que esse caminho dependerá da estabilidade regulatória, da aceleração do licenciamento e da capacidade de investimento em redes elétricas, armazenamento e inovação tecnológica.