Um novo inquérito europeu mostra um apoio claro dos cidadãos à ação climática, à inovação em energias limpas e ao papel das autoridades locais na transição energética. Para os municípios da Cidades pelo Clima, os resultados reforçam a importância da liderança local neste processo.

O que dizem os europeus?
De acordo com o Eurobarómetro Especial divulgado em junho de 2025, a grande maioria dos cidadãos da UE (85%) considera as alterações climáticas um problema grave. O mesmo número (85%) acredita que combater esta crise é essencial para melhorar a saúde pública e a qualidade de vida.
Além disso, 81% apoiam o objetivo europeu de atingir a neutralidade climática até 2050, e mais de três quartos (77%) reconhecem que os custos de não agir superam largamente os investimentos numa transição sustentável.
Renováveis, eficiência e independência energética
Os dados mostram um forte apoio à aceleração da transição energética:
- 88% dos inquiridos consideram prioritário aumentar a produção de energia renovável;
- 88% defendem medidas para melhorar a eficiência energética (como o isolamento de edifícios e a mobilidade elétrica);
- 75% veem a redução das importações de combustíveis fósseis como positiva para a segurança energética da UE;
- 84% defendem maior apoio às empresas europeias que produzem tecnologias limpas.
Quem deve liderar a ação climática?
Embora 92% dos cidadãos afirmem já adotar comportamentos sustentáveis no dia a dia, apenas 28% sentem que têm impacto suficiente a nível individual.
Em contraste, os inquiridos acreditam que a liderança deve vir de:
- Governos nacionais (66%)
- A União Europeia (59%)
- Empresas e indústria (58%)
- Órgãos locais e regionais (44%)
Este último valor confirma a relevância das cidades e municípios como agentes-chave da ação climática, próximos das populações e com capacidade de implementação rápida e eficaz.
Comunicação e confiança
Apesar da consciência climática elevada, 52% dos europeus consideram que os meios de comunicação tradicionais não explicam claramente as causas e consequências das alterações climáticas. E 49% têm dificuldade em distinguir informação credível de desinformação nas redes sociais.
Este dado alerta para a importância de reforçar a comunicação local clara e baseada em evidência, algo que a Cidades pelo Clima procura fazer diariamente, promovendo boas práticas, projetos reais e soluções concretas.
Os resultados do Eurobarómetro são claros: os cidadãos estão conscientes, disponíveis e atentos. Agora, precisam de ações coordenadas ao nível europeu, nacional e local. As autarquias, enquanto primeiras linhas de resposta à crise climática, têm aqui um papel estratégico e reconhecido pela população.



