Novo relatório global sobre metano revela avanços, mas alerta para lacunas críticas rumo a 2030 

 
À margem da COP30, foi apresentado, a 17 de novembro, em Belém o Global Methane Status Report 2025, um relatório que atualiza o estado global das emissões de metano e avalia o progresso desde o lançamento do Global Methane Pledge, em 2021. Produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) e pela Climate and Clean Air Coalition (CCAC), o documento revela um cenário misto: embora existam sinais claros de avanço, o mundo permanece distante da meta de reduzir 30% das emissões até 2030

Metano continua a aumentar, mas projeções melhoraram 

O relatório confirma que as emissões globais de metano — um gás com elevado potencial de aquecimento, responsável por cerca de um terço do aumento atual das temperaturas — continuam a subir. Ainda assim, as previsões para 2030 são hoje mais favoráveis do que as apresentadas em 2021. 

Esta melhoria resulta de novas regulamentações sobre gestão de resíduos na Europa e América do Norte, medidas adotadas por vários países desde 2020, um abrandamento do crescimento da procura global de gás natural entre 2020 e 2024. 

Mesmo assim, os autores sublinham que as políticas atualmente em vigor não bastam para cumprir o Global Methane Pledge. 

Reduções possíveis, mas dependentes de implementação total 

Segundo o relatório, apenas a adoção plena das medidas já disponíveis e viáveis permitiria reduzir as emissões a um ritmo compatível com a meta global. Entre estas medidas estão: 

  • programas intensivos de deteção e reparação de fugas no setor energético, 
  • selagem de poços de petróleo e gás abandonados, 
  • técnicas agrícolas mais eficientes, como a gestão da água no cultivo de arroz, 
  • separação na origem e tratamento adequado de resíduos orgânicos. 

O relatório destaca que mais de 80% do potencial global de redução até 2030 pode ser alcançado a baixo custo, sendo o setor energético responsável por 72% desse potencial. 

Contributos nacionais podem gerar o maior declínio de sempre 

As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e os planos nacionais específicos para metano, submetidos até meados de 2025, revelam potencial para uma redução de 8% até 2030, caso sejam plenamente implementados, o que significa o maior declínio alguma vez projetado. Contudo, para atingir os 30% definidos pelo Global Methane Pledge, seria necessário ativar todas as reduções tecnicamente possíveis. 

A plena implementação destas medidas poderia evitar, todos os anos mais de 180 mil mortes prematuras,perdas de 19 milhões de toneladas de colheitas e os custos elevados associados a eventos climáticos extremos. 

No caso do setor fóssil, o investimento necessário equivale a apenas 2% das receitas globais obtidas em 2023

O relatório também mostra que 72% do potencial global de mitigação se concentra nos países do G20 e parceiros, onde as emissões poderiam cair 36% até 2030, caso fossem adotadas medidas abrangentes nos setores energético, agrícola e de resíduos. 

Os próximos cinco anos serão decisivos 

O relatório conclui que as decisões tomadas entre 2025 e 2030 determinarão se o mundo conseguirá aproveitar esta janela de oportunidade, reduzindo emissões, melhorando a qualidade do ar e contribuindo para limitar o aquecimento global a 1,5ºC. 

Leia o relatório na íntegra aqui 

O que é o metano 

 O metano (CH₄) é um gás de efeito estufa bastante potente, com um potencial de aquecimento muito superior ao do dióxido de carbono (CO₂) a curto prazo. Apesar de ter vida mais curta na atmosfera, contribui de forma significativa para o aquecimento global. Estima-se que o metano seja responsável por até um terço do aquecimento observado nas últimas décadas, por isso reduzir as suas emissões é uma prioridade urgente para limitar as mudanças climáticas.