
O relatório da C40 Cities, “Fostering Climate-Resilient Active Mobility for All: A call to action with a focus on Global South cities”, apresenta um apelo claro às cidades de todo o mundo: é necessário acelerar a transição para modelos de mobilidade ativa, como andar a pé e de bicicleta, que sejam simultaneamente inclusivos, seguros e resilientes às alterações climáticas. A publicação reúne evidências científicas, recomendações de política pública e exemplos práticos de implementação em territórios urbanos diversos, com especial atenção aos desafios enfrentados pelo Sul Global.
Do que trata o estudo
O relatório defende que promover deslocações ativas é uma das formas mais eficazes de reduzir emissões, melhorar a qualidade do ar, reforçar a saúde pública e aumentar a resiliência das cidades aos impactos climáticos. Esta abordagem é apresentada como uma solução de múltiplos benefícios, capaz de:
- reduzir a vulnerabilidade urbana a fenómenos climáticos extremos,
- melhorar a equidade no acesso à mobilidade,
- diminuir dependências de combustíveis fósseis,
- criar espaços urbanos mais seguros e saudáveis para todos.
A C40 sublinha que, em muitos países do Sul Global, as deslocações a pé e de bicicleta já representam uma parte significativa da mobilidade quotidiana. No entanto, são frequentemente realizadas em contextos inseguros, com pouca infraestrutura adequada e escassa proteção climática. O relatório propõe, por isso, um conjunto de medidas integradas para transformar este padrão existente em sistemas de mobilidade ativa estruturados, resilientes e socialmente justos.
Entre os pontos centrais identificados no documento destacam-se:
- Infraestruturas de mobilidade ativa são essenciais para a resiliência climática. Podem ser concebidas para resistir a ondas de calor, inundações e tempestades, assegurando deslocações seguras mesmo em cenários extremos.
- A mobilidade ativa reduz desigualdades. Caminhar e pedalar são modos acessíveis à maioria da população e, quando bem planeados, melhoram a inclusão social e o acesso ao emprego, educação e serviços.
- As cidades precisam de políticas integradas. O relatório recomenda combinar infraestrutura, planeamento urbano, incentivos e instrumentos regulatórios que priorizem o espaço para pessoas e não para automóveis.
- A saúde pública é um dos maiores beneficiários. Mobilidade ativa reduz doenças associadas à poluição e sedentarismo e contribui para ambientes urbanos mais seguros.
- A participação comunitária é decisiva. As políticas mais eficazes são aquelas cocriadas com residentes, especialmente mulheres, jovens e grupos vulneráveis, que enfrentam riscos acrescidos em ambientes urbanos expostos a fenómenos climáticos.
O relatório apresenta ainda estudos de caso de cidades como Recife, Kigali, Bogotá ou Acra, onde investimentos em mobilidade ativa têm demonstrado impacto direto na redução de emissões e na melhoria da segurança e qualidade de vida urbana.
Porque é que este estudo importa para as cidades portuguesas
Embora o relatório seja especialmente dirigido ao Sul Global, as suas recomendações são altamente relevantes para cidades portuguesas que enfrentam desafios como:
- aumento das temperaturas,
- cheias urbanas,
- pressão sobre o espaço público,
- necessidade de promover alternativas ao automóvel privado.



