
A plataforma sueca Viable Cities assinalou, a 5 de dezembro, a oitava edição do European Viable Cities Day, um evento que se tornou referência na mobilização climática urbana na Europa. Este encontro anual funciona hoje como ponto de ligação entre o trabalho desenvolvido na Suécia, o esforço mais vasto da União Europeia e o movimento global por cidades climática e socialmente sustentáveis.
Este ano, a data coincidiu com um marco importante: cinco anos desde os primeiros contratos climáticos urbanos na Suécia, um instrumento que se consolidou como alicerce estratégico para acelerar a neutralidade climática ao nível local. O balanço é expressivo: 48 municípios suecos, juntamente com seis agências governamentais, participam atualmente no processo.
Um modelo de transição que cresce e se consolida
Os Climate City Contracts nasceram em 2020 com nove municípios pioneiros. Desde então, tornaram-se numa peça central da estratégia sueca de ação climática urbana, orientando políticas, investimentos e inovação.
Hans Lindberg, presidente da Câmara Municipal de Umeå — cidade envolvida desde o início — resume o espírito da iniciativa: “Sabemos que a transição não acontece de forma isolada. A assinatura do contrato é mais um passo numa jornada conjunta rumo à neutralidade climática.”
A filosofia é simples, mas ambiciosa: combinar compromissos políticos firmes com cooperação prática entre municípios, governo central, agências nacionais, empresas, universidades e sociedade civil. Essa colaboração multiescalar é, para muitos, o que permite transformar metas abstratas em resultados mensuráveis.
Johan Abrahamsson, líder municipal de Mariestad, destaca precisamente este papel estruturante: “O contrato funciona como bússola. Ajuda a manter o foco quando tantas outras urgências competem por atenção e torna mais fácil integrar iniciativas de transição no nosso trabalho diário.”
Sinergias nacionais e europeias: cidades no centro da transformação
O evento deste ano também sublinhou o crescente reconhecimento internacional do modelo sueco. A União Europeia tem colocado as cidades no centro da sua agenda climática e vê na abordagem da Viable Cities um exemplo concreto de como transformar ambição política em projetos reais no terreno.
Johan Kuylenstierna, diretor-geral da Agência Sueca de Proteção Ambiental, reforçou esta ideia: “O Climate City Contract mostra como a cooperação entre agências governamentais e municípios cria sinergias essenciais. Também evidencia que clima e biodiversidade são inseparáveis.”
Para acelerar ainda mais o processo, surgiu uma nova dinâmica: compromissos conjuntos entre cidades, orientados para temas como mobilidade, energia, soluções baseadas na natureza ou financiamento climático. O objetivo é que grupos de municípios avancem em conjunto, desenvolvendo abordagens replicáveis por toda a Europa.
Anna-Britta Åkerlind, presidente da Câmara de Örnsköldsvik, sublinha essa ambição coletiva: “A força da colaboração é inegável. Trabalhar com outras cidades permite criar soluções com impacto local imediato, mas também global.” entas práticas que ajudam a acelerar marcos essenciais dos planos de ação climática locais.
Da Suécia para a Europa: um referencial para a década da ação
O European Viable Cities Day tornou-se, em oito anos, um evento para criar pontes entre o local, o nacional e o europeu. Num contexto em que a UE reforça o seu foco na transição urbana, incluindo a recente adesão ao CHAMP, uma coligação global para alinhar políticas nacionais e municipais, os avanços suecos ganham visibilidade redobrada.
Olga Kordas, diretora do programa Viable Cities, resume o momento:
“É inspirador ver 48 cidades suecas mobilizadas em conjunto. O nosso trabalho mostra que é possível acelerar a transição quando se alinham ambição política, capacidade prática e colaboração entre diferentes níveis de governo.”
As agências nacionais envolvidas partilham esta visão. Caroline Asserup, diretora-geral da Agência Sueca de Energia, destaca a importância da cooperação interinstitucional: “O contrato climático cria um espaço de trabalho conjunto sobre financiamento, política, inovação e aprendizagem. É isso que permite acelerar a transição.”
Darja Isaksson, diretora-geral da Vinnova, reforça o impacto europeu:
“O que fazemos na Suécia para ligar cidades, agências, empresas e cidadãos está a inspirar a União Europeia. O trabalho da Cities Mission reflete isso claramente.”



