Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência: lembrar quem abriu caminho e ficou esquecido 

No Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência, que se assinala a 11 de fevereiro, celebramos o contributo essencial das mulheres para o avanço do conhecimento científico. Mas esta data é também um momento para refletir sobre quantas descobertas foram ignoradas, apagadas ou atribuídas a outros ao longo da história, simplesmente por terem sido feitas por mulheres. 

Um dos exemplos mais marcantes é o de Eunice Foote, uma cientista norte-americana que, em 1856, realizou uma experiência pioneira: demonstrou que o dióxido de carbono (CO₂) tem a capacidade de reter calor na atmosfera. Foi a primeira pessoa a identificar, de forma experimental, o princípio do efeito de estufa, décadas antes de o tema se tornar central na ciência do clima. 

Apesar da relevância da sua descoberta, o trabalho de Eunice Foote foi praticamente esquecido durante mais de um século. Na época, não lhe foi permitido apresentar os seus próprios resultados numa conferência científica. A sua investigação foi lida por um homem, e o seu nome acabou por desaparecer da história oficial da ciência. 

Recordar Eunice Foote, como fazem Joana Portugal Pereira e M. Luísa Sousa num artigo publicado no Público, é também reconhecer todas as mulheres que, ao longo da história, contribuíram para a ciência sem receber o devido crédito. Como sublinham as autoras, esta invisibilidade não é um acaso: é o reflexo de sistemas que, durante séculos, afastaram as mulheres dos espaços de decisão e reconhecimento científico. Convidamos à leitura do artigo, que aprofunda esta reflexão. 

Assinalar o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência é, por isso, mais do que uma celebração simbólica. É um compromisso com uma ciência mais justa, diversa e representativa. E é também um convite para que as novas gerações de raparigas saibam que há lugar para elas e que a ciência precisa das suas vozes.