
A fatura energética portuguesa voltou a aumentar em 2025, impulsionada sobretudo pela subida do saldo importador de gás natural e pela evolução das importações de produtos energéticos. Os dados constam do mais recente relatório da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), que traça a evolução das importações, exportações e preços da energia em Portugal.
Segundo o documento, o saldo importador de gás natural atingiu 1.078 milhões de euros em 2025, representando um aumento de 9,7% face ao ano anterior. Apesar da descida das importações em valor (-7,1%), as exportações caíram de forma mais acentuada (-45,7%), contribuindo para o agravamento do saldo energético neste segmento.
O relatório mostra também que o preço médio anual de importação de gás natural recuou para 25,2 €/MWh, bastante abaixo dos máximos registados durante a crise energética de 2022, quando o valor chegou aos 58,6 €/MWh. Ainda assim, Portugal continua fortemente dependente de importações provenientes da Nigéria e dos Estados Unidos, responsáveis por entre 65% e 90% das compras externas de gás nos últimos cinco anos.
Eletricidade mantém saldo importador elevado
No caso da eletricidade, Portugal registou em 2025 um saldo importador de 657 milhões de euros, menos 19,6% do que em 2024. As importações diminuíram 11,8%, enquanto as exportações cresceram 17,9%, refletindo alguma recuperação do equilíbrio comercial no setor elétrico.
Apesar desta melhoria, os preços médios de importação de eletricidade mantiveram-se elevados em termos históricos, fixando-se nos 68,3 €/MWh. No mercado ibérico de eletricidade (MIBEL), os preços mensais oscilaram entre 25,8 €/MWh e 108,2 €/MWh ao longo do ano.
A evolução demonstra um abrandamento face aos valores extremos observados em 2022, período marcado pelo impacto da guerra na Ucrânia e pela crise energética europeia, mas evidencia também que os mercados energéticos continuam sujeitos a forte volatilidade.
Biocombustíveis invertem tendência
Outro dos destaques do relatório prende-se com os biocombustíveis, biomassa e resíduos para fins energéticos. Pela primeira vez nos últimos anos, Portugal registou um saldo importador positivo neste agregado, com as importações a ultrapassarem as exportações em 45 milhões de euros.
O aumento foi impulsionado sobretudo pelos biocombustíveis, cujas importações cresceram 24,2% em 2025. Em sentido contrário, as exportações deste segmento recuaram 11,7%. Já no caso da biomassa, incluindo pellets e briquetes, as exportações diminuíram 8,8% face ao ano anterior.
Dependência energética continua a marcar economia portuguesa
Os dados da DGEG evidenciam que, apesar da crescente aposta nas energias renováveis e no autoconsumo, Portugal continua significativamente dependente das importações energéticas, sobretudo de gás natural e eletricidade.
A evolução dos preços internacionais continua a ter impacto direto na economia nacional, influenciando custos energéticos, competitividade industrial e balança comercial. O relatório mostra igualmente que, embora os preços tenham estabilizado após os máximos históricos de 2022, permanecem acima dos valores registados antes da crise energética.
Neste contexto, a aceleração da transição energética, o reforço da produção renovável e a redução da dependência externa continuam a assumir-se como prioridades estratégicas para o sistema energético português.



