Como podemos envolver os cidadãos de forma mais efetiva na ação climática das cidades? Esta foi a questão que orientou a sessão A+CLASS | Mobilização Cidadã para a Ação Climática, realizada online no dia 8 de setembro, reunindo participantes de diferentes municípios para conhecer experiências desenvolvidas em Guimarães, Lisboa e Porto e refletir sobre formas de reforçar a participação cidadã na transição climática.
Promovida no âmbito do projeto A+CLASS – Alliance for Climate Leadership for Actionable Sustainability Solutions, a sessão combinou a apresentação de experiências concretas com um momento participativo, no qual os participantes partilharam motivações, barreiras e perceções sobre os processos locais de participação.
As experiências apresentadas incluíram a Assembleia de Cidadãos de Guimarães, o projeto “Biodiversidade dos Cemitérios de Lisboa: ciências profissional e cidadã juntas” e as ferramentas e atividades de mobilização cidadã do Pacto do Porto para o Clima.
Resultados concretos e gerações futuras entre os principais motivadores
Quando questionados sobre o que mais os motiva a participar numa iniciativa climática promovida pela sua cidade, 81% dos participantes destacaram a possibilidade de deixar um contributo para as gerações futuras.
A possibilidade de ver resultados concretos no bairro, freguesia, cidade ou território surgiu logo depois, assinalada por 69%. Contribuir para proteger o território dos riscos climáticos foi referido por 38%, enquanto 31% valorizaram o sentimento de fazer parte de uma comunidade com objetivos comuns.
Os resultados mostram que a participação tende a ser mais valorizada quando existe uma relação clara entre envolvimento e impacto.
Impacto e continuidade continuam a ser desafios
A perceção de que a participação poderá ter pouco impacto real nas decisões e a falta de continuidade depois de uma consulta ou atividade foram as barreiras mais assinaladas, ambas referidas por 33% dos participantes.
Seguiram-se a falta de tempo, identificada por 20%, e a existência de processos demasiado complexos ou burocráticos, referida por 13%.
Os resultados reforçam a importância de não limitar os processos participativos ao momento da consulta. Para manter o envolvimento, é necessário tornar claro como os contributos são considerados e o que acontece depois.
Transparência e feedback reforçam a confiança
Quando questionados sobre o que aumentaria a sua confiança num processo de participação promovido pelo município, 59% dos participantes destacaram o acesso público aos resultados e às conclusões do processo. A mesma percentagem referiu a importância de receber feedback sobre o que aconteceu depois da consulta.
Conhecer antecipadamente quais as decisões que estão efetivamente abertas à discussão e perceber que o processo terá continuidade foram também fatores valorizados.
Os resultados apontam, assim, para três dimensões centrais: transparência, retorno e continuidade.
“Eu teria um papel mais ativo se…”
No encerramento do momento participativo, os participantes foram convidados a completar a frase “Eu teria um papel mais ativo na ação climática se…”.
As respostas referiram aspetos como ter mais tempo, sentir que a sua voz é ouvida, perceber impacto nas decisões, reduzir a burocracia, reforçar a partilha da decisão e participar em grupos de ação.
Também nas preferências por tipos de atividade surgiu uma valorização de formas mais ativas de envolvimento, com destaque para atividades práticas no território, assembleias ou fóruns de cidadãos e oficinas participativas.
A sessão reforçou, assim, uma ideia central: promover a mobilização cidadã para a ação climática não passa apenas por criar mais oportunidades para participar. Implica construir processos acessíveis, transparentes e consequentes, nos quais os cidadãos percebam de que forma o seu contributo pode influenciar decisões e gerar mudanças concretas.



