As cidades estão na linha da frente da resposta às alterações climáticas. É nos territórios urbanos que se concentram população, edifícios, atividades económicas, mobilidade e consumo de energia, mas também é à escala local que muitas das soluções capazes de reduzir emissões e reforçar a resiliência podem ser concretizadas.
É precisamente esta perspetiva que estará em destaque no webinar gratuito Climate action: why it makes sense for cities – A conversation with OPCC 2025-2026 winners, promovido pelo WWF, no dia 22 de setembro de 2026, com dois horários disponíveis: às 8h (hora de Lisboa) e às 15h.
A sessão reunirá representantes de duas das cidades distinguidas na mais recente edição do One Planet City Challenge (OPCC): Makati, nas Filipinas, vencedora global, e Guimarães, vencedora nacional em Portugal, e membro da Cidades pelo Clima.
Da ambição climática à ação no território
Criado pelo WWF, o One Planet City Challenge é uma iniciativa internacional que avalia e reconhece cidades que demonstram liderança na ação climática. Na edição 2025-2026 participaram mais de 380 cidades de 51 países, avaliadas, entre outros aspetos, pela qualidade das suas estratégias climáticas e pela informação reportada através da plataforma CDP-ICLEI Track.
É essa dimensão prática que estará no centro da conversa: o que levou estas cidades a agir, que medidas implementaram, como foram recebidas pelas comunidades e que benefícios resultaram da ação climática para além da redução das emissões?
A resposta é particularmente relevante num momento em que as cidades enfrentam simultaneamente desafios relacionados com o aumento das temperaturas, fenómenos meteorológicos extremos, mobilidade, qualidade do ar, energia, gestão de recursos e desigualdades sociais.
Makati: uma década de construção de capacidade climática
A distinção de Makati representa o resultado de um processo que se prolonga há mais de uma década. A cidade filipina integrou o desafio em 2015 e, desde então, desenvolveu uma estrutura de governação climática que inclui uma declaração de emergência climática, um código local de energia, um inventário de emissões de gases com efeito de estufa e metas de redução de emissões.
Makati estabeleceu como objetivo reduzir as emissões em 39% até 2030 e alcançar a neutralidade carbónica até 2050. Em 2026, tornou-se também a primeira cidade das Filipinas a alcançar 100% de utilização de energia renovável em todas as suas infraestruturas públicas.
A cidade foi distinguida como vencedora global na categoria de países em desenvolvimento, sendo a primeira cidade do Sudeste Asiático e das Filipinas a conquistar o título global do OPCC. Paris foi a outra vencedora global, na categoria de países desenvolvidos.
O percurso de Makati demonstra que a ação climática local depende não apenas de objetivos, mas também de dados, capacidade institucional, continuidade das políticas e mecanismos de monitorização.
Guimarães: uma estratégia integrada para uma “One Planet City”
Em Portugal, a distinção coube a Guimarães, que venceu a competição nacional entre as cidades portuguesas finalistas. No total, 11 municípios portugueses participaram no processo.
O reconhecimento assume particular relevância num ano em que Guimarães é Capital Verde Europeia 2026. A estratégia do município está alinhada com a ambição de se afirmar como uma “One Planet City” até 2030, inspirada nos princípios do One Planet Living.
A abordagem de Guimarães vai além da redução das emissões de gases com efeito de estufa. Inclui áreas como o reforço da cobertura arbórea e da biodiversidade, a valorização dos recursos naturais, a redução de resíduos, a mobilidade sustentável e acessível, a economia circular, a adaptação às alterações climáticas e o envolvimento da população.
Esta visão integrada é particularmente importante porque demonstra que a ação climática pode ser simultaneamente uma política ambiental, económica, social e de qualidade de vida urbana.
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