
O relatório da Eurostat sobre transporte público na União Europeia em 2024, analisa a frequência de utilização do transporte público entre cidadãos com 16 anos ou mais em todos os Estados-Membros. Este relatório oferece uma visão detalhada sobre hábitos de mobilidade, desigualdades entre países e áreas com maior potencial de melhoria.
O transporte público continua a desempenhar um papel central na mobilidade urbana e na redução das emissões de carbono. No entanto, os dados da Eurostat indicam que, em 2024, mais de metade da população da União Europeia (50,6%) não utilizou transporte público em qualquer frequência. Este dado evidencia tanto diferenças culturais e estruturais entre os Estados-Membros como desafios persistentes na acessibilidade e atratividade deste modo de transporte.
Frequência de utilização do transporte público
Entre os cidadãos europeus com 16 anos ou mais, a utilização do transporte público em 2024 distribuiu-se da seguinte forma:
- 10,7% utilizaram diariamente
- 11,6% utilizaram semanalmente
- 10,0% utilizaram mensalmente
- 17,1% utilizaram menos de uma vez por mês
Apenas cerca de 33,4% da população recorre regularmente ao transporte público (diária ou semanalmente), enquanto uma parcela significativa da população utiliza-o raramente ou nunca.
Diferenças entre países da União Europeia
A utilização do transporte público varia consideravelmente entre os Estados-Membros:
- Menor utilização: Chipre (85% não usa), Itália (68%), Portugal (67,8%), França (65%), Eslovénia (61,6%) e Grécia (61,3%).
- Maior utilização: Luxemburgo (15,7% não usa, 23,1% usam semanalmente), Estónia (26,6%), Suécia (26,7%) e Letónia (19,2% utilizadores semanais).
Estas diferenças refletem não apenas a dimensão e densidade populacional, mas também a disponibilidade de infraestruturas, políticas de incentivo à mobilidade sustentável e hábitos culturais de cada país.
Foco em Portugal
Em Portugal, 67,8% da população não utilizou transporte público em 2024, colocando o país entre os Estados-Membros com menor adesão. Apesar de existir uma rede razoavelmente desenvolvida em cidades como Lisboa e Porto, grande parte da população ainda depende de transporte individual, sobretudo automóveis privados.
O desafio português reside, portanto, não apenas na expansão das infraestruturas de transporte público, mas também na promoção de uma mudança cultural que incentive os cidadãos a optarem por modos de transporte mais sustentáveis e acessíveis.
Conclusão
O transporte público tem potencial para reduzir congestionamentos, poluição e emissões de carbono, mas mais de metade da população europeia não o utiliza regularmente, com disparidades significativas entre países. Para inverter esta tendência, é fundamental investir em políticas públicas integradas, melhorias de acessibilidade e incentivos à utilização diária.



