Guimarães 2026 aprova projetos inovadores para mobilidade sustentável e conectividade territorial 

A Comissão Científica da Unidade de Missão da Guimarães 26 – Capital Verde Europeia aprovou o financiamento de dois novos projetos que reforçam a aposta da cidade em soluções inovadoras para os desafios ambientais e sociais: o CLEAR PATHS e o PACTS2B-READY. 

O projeto CLEAR PATHS – Rotas Ambientais Acessíveis Lideradas por Cidadãos propõe a criação de um sistema inteligente de percursos urbanos que combina dados ambientais, urbanos e de saúde. Desenvolvido por Andrea Ribeiro, Giorgio Pace e Dalila Durães, com a colaboração de Miguel Nóbrega, o projeto pretende transformar Guimarães num verdadeiro “laboratório vivo” de sustentabilidade e inovação. 

A iniciativa baseia-se na recolha e análise de indicadores como qualidade do ar, temperatura, níveis de ruído, presença de infraestruturas verdes e condições de acessibilidade. A partir desses dados será criado um índice designado “Green Comfort Score”, que permitirá sugerir percursos personalizados, adaptados tanto a caminhadas do dia a dia como a contextos de reabilitação. 

Além disso, o sistema inclui uma aplicação móvel e ferramentas de apoio à decisão destinadas a municípios e profissionais de saúde. O objetivo passa por reduzir a exposição a fatores de risco ambiental, como o calor extremo e a poluição, sobretudo entre populações mais vulneráveis. O projeto integra também uma forte componente participativa, envolvendo cidadãos em processos de co-criação e avaliação do espaço urbano, ao mesmo tempo que incentiva estilos de vida mais ativos e saudáveis. A sua conceção prevê ainda a possibilidade de replicação noutras cidades, contribuindo para a resiliência climática e a promoção da equidade em saúde. 

Por sua vez, o PACTS2B-READY – Projeto-piloto de Apoio à Conetividade Territorial Sustentável, apresentado por João Alexandre Cabral e Joana Vicente, centra-se no apoio à definição de políticas públicas através de tecnologias avançadas. O projeto recorre a ferramentas como deteção remota, inteligência artificial e modelação para analisar o território e orientar decisões mais sustentáveis. 

Uma das suas prioridades é valorizar práticas tradicionais que desempenham um papel relevante na ligação ecológica do território, bem como medir os benefícios associados à gestão tradicional e à criação de espaços verdes em contextos urbanos, periurbanos e rurais. Entre os impactos esperados estão a promoção da biodiversidade, o aumento do bem-estar das populações, a adaptação às alterações climáticas e o controlo de espécies invasoras. O projeto aposta ainda na transferência de conhecimento, no trabalho colaborativo e no envolvimento de diferentes agentes locais. 

A Comissão Científica, composta por cerca de quatro dezenas de especialistas de instituições nacionais e internacionais, incluindo universidades como a do Minho, Porto, Coimbra, Aveiro e entidades estrangeiras, desempenha um papel central na orientação técnica e científica da iniciativa. Copresidida por Carlos Ribeiro e Isabel Loureiro, esta estrutura garante a implementação de projetos de elevado impacto e contribui para afirmar Guimarães como uma referência internacional em sustentabilidade. 

Com a aprovação destes dois projetos, a estratégia da Capital Verde Europeia ganha novo impulso, consolidando a ambição de construir uma cidade mais resiliente, inclusiva e preparada para responder aos desafios ambientais do futuro.