Lisboa vai ganhar um “gémeo digital” para testar políticas climáticas antes de as aplicar 

Gémeo Digital

Antes de fechar uma rua ao trânsito, alargar uma zona de baixas emissões ou redesenhar um espaço público, os municípios raramente sabem com exatidão o que vai realmente acontecer. Faltam, muitas vezes, ferramentas que permitam simular esses efeitos com rigor, antes de comprometer recursos e gerar impacto real na vida das pessoas. É esse o problema que o projeto europeu NexTCity se propõe resolver, começando pela Zona de Emissões Reduzidas (ZER) de Lisboa. 

Coordenado pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), o projeto está a construir um “Gémeo Digital”, ou seja, uma réplica virtual e dinâmica do território, que vai permitir aos decisores testar políticas públicas num ambiente simulado antes de as levarem para a rua. Segundo os promotores do projeto, esta abordagem pretende dar resposta a um desafio comum às cidades europeias: as áreas urbanas concentram mais de 70% das emissões globais de CO₂, mas muitos municípios continuam a depender de modelos de monitorização e governação desatualizados, pouco preparados para apoiar decisões rápidas e informadas. 

O que é um gémeo digital urbano 

Um gémeo digital não é apenas um mapa detalhado ou uma maquete em 3D. Trata-se de um modelo vivo do território, alimentado continuamente por dados reais, de tráfego, qualidade do ar, ocupação do espaço, condições climáticas, entre outros, que espelha o funcionamento da cidade em tempo (quase) real. É essa ligação contínua aos dados que distingue um gémeo digital de uma simples visualização estática, e que permite usá-lo não só para observar o presente, mas para simular o futuro. 

No caso do NexTCity, o piloto está a ser desenvolvido para a ZER de Lisboa, que abrange áreas como a Baixa Pombalina e a Praça do Comércio. A plataforma vai cruzar dados sobre clima, ambiente e mobilidade para permitir simular diferentes cenários e avaliar antecipadamente efeitos como as alterações na qualidade do ar, a intensidade das ilhas de calor urbano e os impactos na saúde da população antes de qualquer medida ser efetivamente aplicada no terreno. 

O objetivo é  permitir a Lisboa dispor de uma plataforma capaz de testar diferentes cenários antes da implementação de políticas urbanas, apoiando decisões ” informadas, eficientes e baseadas em evidência. Segundo o responsável, os desafios que as cidades enfrentam atualmente exigem precisamente este tipo de ferramentas de apoio à decisão pública, capazes de antecipar consequências antes de estas se tornarem irreversíveis.