
Calor, cheias e seca estão a testar as cidades portuguesas e europeias, e é nelas que a COP31 quer procurar respostas. A conferência decorre em Antalya, na Turquia, de 9 a 20 de novembro, com Murat Kurum na presidência da conferência e o australiano Chris Bowen na presidência das negociações. A menos de duas semanas do arranque, a resiliência urbana é um dos temas centrais da agenda.
As cidades sobem na agenda

presidência turca quer tornar as cidades resilientes, sustentáveis e centradas nas pessoas num dos pilares da agenda climática global. A Agenda de Ação reúne 10 temas prioritários, seis metas globais e 11 iniciativas. Para as cidades e o ambiente construído, a meta é reduzir em pelo menos 25% a intensidade energética dos edifícios até 2035, e o dia 12 de novembro é dedicado às cidades resilientes e ao ambiente construído. A abordagem articula o clima com a perda de biodiversidade, a degradação do solo e o stress hídrico.
A
O fórum preparatório de Hatay terminou com uma declaração em que os países participantes se comprometeram a avançar a transformação urbana resiliente ao clima e a aumentar o financiamento, e o texto foi apresentado como contributo formal para a COP31.
Calor, cheias e seca: riscos que se acumulam
Nas cidades, estes três riscos reforçam-se mutuamente. O calor intensifica-se em territórios muito impermeabilizados, com poucas árvores e pouca sombra. A chuva intensa encontra solos selados e redes de drenagem pensadas para outro clima. E a seca pressiona o abastecimento de água, que é também necessário para arrefecer e regar o espaço público. Por isso, os especialistas defendem respostas integradas, em vez de soluções isoladas para cada risco.
Na água, especialistas da Organização Meteorológica Mundial defendem que a COP31 reconheça a ligação entre água e clima e que a resiliência hídrica e os alertas precoces sejam medidos com indicadores claros no Objetivo Global de Adaptação. Esta é uma posição de especialistas e não uma proposta oficial da presidência.
Saúde: onde os riscos se tornam visíveis
Os sistemas de saúde dinâmicos e resilientes estão entre os 10 temas prioritários da Agenda de Ação, e a imprensa turca cita uma responsável que aponta a criação de um fundo de apoio ao clima e à saúde como prioridade.
A natureza como infraestrutura
Arborização, corredores verdes, coberturas e fachadas verdes, zonas húmidas e solos permeáveis ajudam a baixar a temperatura, a absorver água da chuva e a melhorar a qualidade de vida. Reforçam também a biodiversidade urbana, e esta ligação entre clima e natureza está presente no calendário internacional. A Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP17), em Ierevan, de 19 a 30 de outubro, foi apontada como uma oportunidade para reforçar os laços entre financiamento climático e financiamento da natureza antes da COP31.
O dinheiro para adaptar
Nas negociações, lideradas pela Austrália, a adaptação é um dos temas principais. Há sinais de que os indicadores do Objetivo Global de Adaptação, os planos nacionais de adaptação e o apelo para triplicar o financiamento à adaptação até 2035 poderão avançar, mas a disponibilidade de financiamento continua em aberto. A COP30 adotou os indicadores de adaptação de Belém e deu um novo sinal político para aumentar o financiamento. Os países menos desenvolvidos e os pequenos estados insulares chegam a Antalya a olhar para um financiamento anual de 120 mil milhões de dólares ou mais.
A atenção que a presidência turca dá às cidades confirma uma ideia que já orienta a ação climática local em Portugal: a adaptação passa por planear, executar e monitorizar medidas concretas.



