Mais de 300 mil milhões de euros para transformar as cidades europeias: o custo (e o retorno) da neutralidade climática urbana 

A transição climática nas cidades europeias tem um preço — e um potencial retorno. Um novo estudo publicado em maio de 2025 estima que as 100 cidades da Missão Europeia “100 Climate-Neutral and Smart Cities by 2030” precisarão de mais de 300 mil milhões de euros em investimento até ao final da década para atingir os seus objetivos de neutralidade climática. Contudo, esse esforço financeiro pode valer cada cêntimo: por cada euro investido, as cidades poderão recuperar até €1,28 em poupanças e benefícios sociais, ambientais e económicos. 

A análise, conduzida pela consultora Bankers without Boundaries com base em 28 planos municipais, mostra que a maior parte dos recursos será aplicada em ambientes construídos, ou seja, na reabilitação e descarbonização de edifícios existentes, bem como na construção de novos edifícios com elevados padrões de eficiência energética. Os outros setores com maior peso são os transportes e a energia, que, em conjunto, representam as principais fontes de emissões nas áreas urbanas. Segundo o relatório, “a transição climática urbana exige um nível de investimento transformador — mas os benefícios são tangíveis, mensuráveis e superiores ao custo.” 

Um esforço conjunto com retorno económico e social 

O investimento médio estimado por cidade ronda os 3 mil milhões de euros, o que corresponde a aproximadamente €5.486 por habitante. Já o custo por tonelada de CO₂ evitada — estimado em €2,4 milhões por quilotonelada (kT) — representa o esforço necessário para alterar infraestruturas e sistemas urbanos altamente dependentes de combustíveis fósseis e práticas insustentáveis. 

Mas o impacto vai além da mitigação das emissões. O estudo estima que os benefícios totais, diretos e indiretos, ultrapassem os €394 mil milhões, destacando-se as poupanças operacionais no setor da mobilidade, os ganhos em saúde pública e a valorização de espaços urbanos mais verdes, limpos e seguros. 

“Os co-benefícios — como melhor qualidade do ar, redução do ruído e maior segurança rodoviária — são frequentemente subvalorizados, mas representam ganhos reais para a vida nas cidades”, salienta o estudo. 

Financiamento: o grande desafio da década 

Um dos principais alertas do relatório diz respeito à estrutura de financiamento necessária para concretizar os planos: apenas 10% dos investimentos serão suportados diretamente pelos orçamentos municipais, sendo os restantes 90% dependentes de financiamento externo, nomeadamente de investidores institucionais, fundos europeus, bancos públicos e instrumentos financeiros verdes. Estes últimos incluem mecanismos de financiamento que canalizam recursos para projetos sustentáveis, com impacto positivo comprovado no clima, ambiente ou biodiversidade — saiba mais sobre este conceito aqui

Para apoiar os municípios nesta missão, foi criado o Climate City Capital Hub, que atua como ponte entre as cidades e o setor financeiro, ajudando a estruturar projetos sólidos, com modelos de negócio adaptados à realidade local e impacto climático comprovado. “As cidades estão preparadas para liderar — o que falta é um ambiente financeiro à altura da ambição climática urbana”, conclui o estudo. 

🔗 Aceda ao relatório completo aqui (PDF)