Novo relatório da ONU revela que o mundo está perigosamente fora de rumo climático 

Emissions Gap Report 2025, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), traz uma mensagem dura e inequívoca: o planeta está muito longe de alcançar os objetivos do Acordo de Paris, e mesmo os compromissos mais recentes dos países “mal mexem a agulha” da crise climática. 

Segundo o relatório, com a implementação total das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), o aquecimento global ao longo deste século será de 2,3 a 2,5 °C. Se forem consideradas apenas as políticas actualmente em vigor, o planeta caminha para 2,8 °C de aquecimento — um cenário que terá impactos devastadores em ecossistemas, economias e na vida de milhões de pessoas. 

Embora estes valores representem uma ligeira melhoria face ao relatório do ano passado, esta boa notícia é enganadora: parte da redução deve-se a atualizações metodológicas dos modelos climáticos, e não a uma aceleração real das ações climáticas. Para agravar, a retirada anunciada dos EUA do Acordo de Paris deverá anular cerca de 0,1 °C desta melhoria. 

O balanço é claro: as metas atuais continuam dramaticamente insuficientes

O relatório alerta que o planeta ultrapassará o limite dos 1,5 °C muito provavelmente ainda na próxima década, mesmo no cenário em que todos os compromissos atuais são cumpridos. 
No entanto, este “overshoot” pode — e deve — ser limitado. Quanto menos o mundo ultrapassar este limiar, menores serão os danos e mais viável será regressar aos 1,5 °C até ao final do século. 

Emissões precisam cair 35% a 55% até 2035 

A escala das reduções necessárias é impressionante: 

  • Para seguir o cenário de 2 °C
    ➝ Redução de 35% das emissões globais até 2035 (face a 2019) 
  • Para manter vivo o objetivo de 1,5 °C
    ➝ Redução de 55% no mesmo período 

O relatório sublinha que estas metas são extremamente exigentes, tendo em conta o tempo reduzido disponível e a atual instabilidade política e económica global. 

Cada décima de grau evitada conta — e muito 

Apesar do panorama preocupante, o relatório reforça um ponto importante: cada fração de grau importa
Reduzir o aquecimento, mesmo que não seja possível evitar o overshoot dos 1,5 °C, significa: 

  • menos eventos extremos 
  • menos perdas humanas e ecológicas 
  • menores custos económicos 
  • menor dependência futura de tecnologias de remoção de carbono ainda incertas 

Tecnologias existem — falta vontade política 

Desde o Acordo de Paris, há dez anos, as previsões de aquecimento caíram de 3–3,5 °C para 2,3–2,8 °C
Segundo o UNEP, isto demonstra que políticas públicas, inovação e ação climática já fizeram diferença. O relatório destaca também que: 

  • a energia eólica e solar estão a crescer rapidamente, com custos cada vez mais baixos 
  • as tecnologias necessárias para cortes rápidos e profundos de emissões já existem 
  • há capacidade técnica para acelerar — falta desbloquear financiamento e ambição política 

Para cumprir o que é necessário, o mundo terá de: 

  • reforçar massivamente o apoio financeiro aos países em desenvolvimento 
  • reformar a arquitetura financeira internacional 
  • ultrapassar tensões geopolíticas que dificultam a cooperação climática 
  • tomar decisões económicas ousadas e consistentes 

Conclusão: a janela está a fechar

Emissions Gap Report 2025 lança um aviso extraordinariamente claro: 
continuar no ritmo atual condena o planeta a um futuro perigosamente instável

Mas também deixa uma mensagem de esperança — e responsabilidade: 
as tecnologias estão ao nosso alcance, os benefícios da ação climática são enormes e a diferença entre um futuro de 2,5 °C e um de 2,8 °C é a diferença entre crises graves e catástrofes sistémicas. 

O tempo para agir é curto, mas ainda existe. E o relatório deixa uma certeza: 
ainda podemos mudar o rumo — mas apenas se acelerarmos agora.