Mais de 90% dos portugueses apoiam e acham urgente a instalação de projetos de energia renovável 

O apoio dos portugueses à transição energética continua a crescer. Um novo estudo da Marktest para a APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis revela que 95% dos portugueses apoiam a instalação de projetos de energia renovável nas suas localidades, demonstrando um consenso social significativo em torno da descarbonização e da independência energética. 

estudo, além do apoio generalizado às energias renováveis, revela uma forte ligação entre transição energética, independência estratégica europeia e combate às alterações climáticas. Cerca de 91% dos portugueses consideram importante que a União Europeia reduza a sua dependência energética de países fora da UE, sobretudo após os recentes contextos geopolíticos internacionais.  

Benefícios económicos associados às renováveis 

Os resultados mostram ainda que os portugueses associam claramente as renováveis a benefícios económicos concretos. A possibilidade de acesso a eletricidade mais barata surge como o impacto mais valorizado, sendo considerada “muito relevante” por 66% dos inquiridos, exatamente o mesmo valor atribuído ao contributo das renováveis para o combate às alterações climáticas.  

Os dados sugerem ainda uma pressão crescente da sociedade para acelerar a transição energética. Nove em cada dez inquiridos consideram que Portugal deve dar prioridade ao desenvolvimento de novos projetos renováveis, enquanto 88% defendem que o Governo deve criar melhores condições para o crescimento do setor. Além disso, 85% entendem que o investimento privado em energias limpas deve aumentar nos próximos anos.  

Apesar dos avanços registados por Portugal na produção de eletricidade renovável — que já representa mais de 75% da eletricidade produzida no país, segundo dados recentes da APREN — muitos cidadãos continuam a considerar que o ritmo da transição é insuficiente face à crise climática.  

Apesar do forte apoio global, o estudo revela nuances importantes quando os projetos são instalados mais perto das populações. Enquanto 87% dos portugueses apoiam centrais renováveis em Portugal, o apoio desce para 75% quando os projetos se localizam no próprio concelho de residência e para 73% em concelhos vizinhos.  

Ainda assim, mesmo entre as pessoas que vivem perto de infraestruturas renováveis já existentes ou em construção, os níveis de aceitação mantêm-se positivos. Cerca de 62% afirmam apoiar estes projetos na sua área de residência, enquanto apenas 3% dizem ter-se oposto diretamente a projetos renováveis.  

O estudo mostra também que o contacto direto com infraestruturas renováveis já é significativo em Portugal: 14% dos inquiridos afirmam viver perto de uma central renovável existente ou em construção. As infraestruturas solares são as mais referidas, seguidas da energia eólica e hídrica.  

Confiança é essencial no processo 

O estudo destaca também um aspeto considerado determinante para o sucesso de novos projetos: a confiança das populações nos promotores e nos processos de implementação. A confiança no promotor surge como o fator mais importante na fase de planeamento de novos projetos, sendo apontada por 54% dos portugueses como um elemento “muito relevante”. Logo a seguir aparecem o envolvimento da comunidade local (52%) e a transparência na comunicação durante o desenvolvimento dos projetos.  

O relatório evidencia ainda diferenças territoriais relevantes. Distritos como Bragança, Coimbra, Viseu e Porto apresentam níveis de apoio particularmente elevados à instalação de renováveis no concelho de residência, enquanto Castelo Branco e Faro registam índices mais baixos.  

Ao nível geracional, os jovens entre os 15 e os 34 anos surgem consistentemente entre os grupos mais favoráveis à instalação de projetos renováveis, sobretudo em contexto local.  

A sondagem foi realizada entre março e abril de 2026, junto de 1.999 inquiridos entre os 15 e os 64 anos residentes em Portugal Continental, garantindo representatividade nacional por género, idade e distrito.