Custos da eletricidade renovável voltam a cair e reforçam vantagem económica face aos combustíveis fósseis 

A produção de eletricidade a partir de fontes renováveis tornou-se ainda mais competitiva em 2025. Segundo o relatório Renewable Power Generation Costs in 2025, da International Renewable Energy Agency (IRENA), os custos globais da energia solar fotovoltaica e da eólica terrestre voltaram a diminuir, consolidando estas tecnologias como as opções mais económicas para a construção de nova capacidade elétrica em grande parte do mundo. 

O estudo mostra que 91% da nova capacidade renovável instalada em 2025 produziu eletricidade a um custo inferior ao das alternativas fósseis mais baratas, permitindo uma poupança estimada em cerca de 57 mil milhões de dólares em custos com combustíveis. 

Solar e eólica continuam a liderar 

A energia solar fotovoltaica registou uma nova redução dos custos médios de produção, impulsionada por melhorias tecnológicas, ganhos de eficiência e economias de escala ao longo da cadeia de valor. Também a eólica terrestre manteve a tendência de descida, reforçando a sua posição como uma das formas mais competitivas de gerar eletricidade. 

Embora a energia eólica offshore continue a apresentar custos superiores aos da eólica em terra, o relatório aponta sinais de estabilização e de recuperação do setor após as pressões inflacionistas e os constrangimentos nas cadeias de abastecimento registados nos últimos anos. 

Custos baixos, mas novos desafios 

Apesar da evolução positiva, a IRENA alerta que a redução dos custos dos equipamentos poderá abrandar nos próximos anos. O setor enfrenta atualmente novos desafios, entre os quais: 

  • aumento das tensões comerciais e geopolíticas; 
  • custos de financiamento ainda elevados em muitos mercados; 
  • atrasos no licenciamento de projetos; 
  • insuficiente expansão das redes elétricas; 
  • necessidade crescente de investimento em armazenamento e flexibilidade dos sistemas elétricos. 

Segundo a agência, o custo de produção deixa de ser o único fator determinante para a expansão das energias renováveis. A integração das novas centrais nas redes elétricas e a capacidade de assegurar um fornecimento flexível tornam-se cada vez mais relevantes. 

Investimento em redes será decisivo 

O relatório sublinha que a rápida expansão das renováveis exige investimentos significativos em infraestruturas elétricas. O reforço das redes de transporte e distribuição, aliado ao desenvolvimento de sistemas de armazenamento e de soluções digitais para gestão da procura, será essencial para tirar pleno partido da eletricidade produzida a partir de fontes renováveis. 

Sem esta modernização, a crescente produção renovável poderá enfrentar limitações na ligação à rede e maiores níveis de desperdício de energia. 

Diferenças entre regiões 

Embora os custos continuem a diminuir à escala global, a IRENA identifica diferenças relevantes entre regiões. Mercados com cadeias de abastecimento maduras, maior concorrência e processos de licenciamento mais eficientes continuam a beneficiar de custos mais reduzidos, enquanto economias emergentes enfrentam frequentemente encargos financeiros superiores, que encarecem os projetos. 

A agência considera que políticas públicas estáveis, redução do risco para investidores e mecanismos de financiamento acessíveis serão determinantes para acelerar a implantação de energias renováveis nestes países. 

Transição energética continua economicamente vantajosa 

A principal conclusão do relatório é que a transição energética continua a fazer sentido não apenas do ponto de vista climático, mas também económico. As energias renováveis mantêm uma vantagem crescente sobre a geração baseada em combustíveis fósseis, reduzindo simultaneamente os custos da eletricidade, a dependência energética e a exposição à volatilidade dos preços dos combustíveis. 

Ainda assim, a IRENA defende que a próxima fase da transição dependerá essencialmente da capacidade dos países para modernizar as redes elétricas, acelerar o licenciamento, expandir o armazenamento e criar condições de investimento que permitam acompanhar o ritmo da eletrificação da economia.