
Guimarães, Matosinhos, Cascais e Braga estiveram representados nas discussões que deram origem ao documento “Local Wins, Global Change”, dedicado aos fatores que podem acelerar a implementação de soluções climáticas nas cidades europeias.
A experiência de municípios que integram a Cidades pelo Clima está representada no documento Local Wins, Global Change: Enablers for Scaling Climate Solutions for More Resilient and Thriving Cities, um conjunto de recomendações de política pública para reforçar a ação climática local e criar condições para ampliar soluções já testadas nas cidades.
Publicado em outubro de 2026 pela WWF, o documento resulta de oito mesas-redondas realizadas em junho, em Hamburgo, no âmbito do seminário e cerimónia de atribuição de prémios do projeto LIFE ASAP, cofinanciado pela União Europeia. A iniciativa reuniu participantes de 21 cidades e de 13 países, entre decisores locais, técnicos e organizações parceiras, em colaboração com os projetos CapaCITIES e NetZeroCities. O documento não representa a posição da WWF nem da União Europeia.
Portugal esteve representado por quatro municípios que integram a Cidades pelo Clima: Guimarães, Matosinhos, Cascais e Braga. Os respetivos representantes participaram nas discussões, que abordaram temas centrais para a governação climática urbana, como o papel das cidades líderes no apoio às restantes, o envolvimento dos cidadãos e dos jovens, o financiamento da transição, a competitividade, as parcerias, as soluções baseadas na natureza e a redução da dependência dos combustíveis fósseis.
Reforçar a articulação entre níveis de governação

Entre as principais conclusões, o documento identifica cinco barreiras estruturais que condicionam a ação climática local: a desarticulação entre os níveis local, nacional e europeu; a perda de prioridade política e a incerteza legislativa; a estrutura do financiamento, de curto prazo e fragmentada; a participação pouco efetiva de cidadãos e jovens; e a insuficiente representação institucional das cidades nos processos de decisão europeus.
O relatório chama também a atenção para obstáculos dentro das próprias administrações municipais, nomeadamente a fragmentação entre departamentos e a dificuldade em desenvolver respostas integradas. A confiança entre instituições e cidadãos é outro dos fatores considerados determinantes para a continuidade e eficácia das políticas climáticas.
Uma das recomendações transversais é, por isso, melhorar e ligar os mecanismos de apoio já existentes, em vez de criar novas estruturas. O documento defende o reforço da governação multinível, o acesso a financiamento mais previsível e adequado à realidade dos municípios, em particular dos que dispõem de menos recursos, e o apoio técnico necessário para transformar planos em projetos concretos.
Da participação à implementação de soluções
As recomendações destacam ainda a importância de envolver cidadãos e jovens desde as fases iniciais dos processos de planeamento, garantindo que a sua participação tem influência efetiva nas decisões. No financiamento, propõem uma abordagem que integre os objetivos climáticos nas diferentes áreas de investimento municipal e incentive a cooperação entre municípios para desenvolver projetos de maior escala.
No domínio das soluções baseadas na natureza, o documento recomenda que estas sejam integradas no planeamento urbano e nos investimentos públicos, considerando os seus benefícios para a adaptação climática, a biodiversidade, a saúde e a qualidade de vida. A cooperação entre municípios é igualmente apontada como essencial quando os ecossistemas e os riscos climáticos ultrapassam fronteiras administrativas.
O documento sublinha, em síntese, que a aceleração da ação climática depende da capacidade de articular políticas, financiamento, conhecimento e participação, criando condições para que as soluções locais possam ser replicadas e ganhar escala.
A presença de Guimarães, Matosinhos, Cascais e Braga neste processo de reflexão europeia evidencia também a importância da participação dos municípios portugueses nos espaços de partilha de experiências e construção de recomendações. É neste contexto que a Cidades pelo Clima promove a cooperação entre municípios e regiões, a capacitação técnica e a articulação entre diferentes níveis de governação, contribuindo para acelerar a transição para a neutralidade climática em Portugal.



