Portugal destaca-se entre os países da UE no cumprimento das metas climáticas para 2030 

Portugal é o único Estado-membro da União Europeia que apresenta progressos suficientes para cumprir praticamente todas as metas climáticas e energéticas definidas para 2030, segundo um novo relatório europeu que analisa os Planos Nacionais de Energia e Clima (PNEC) dos 27 países da UE. 

O estudo, divulgado em abril de 2026 pelo Ecologic Institute e pelo New Climate Institute, conclui que Portugal se encontra entre os países mais alinhados com os objetivos europeus de descarbonização, energias renováveis e redução de emissões, apesar de persistirem desafios no consumo de energia primária. 

A análise avaliou os planos nacionais em cinco áreas-chave: redução de emissões, reforço dos sumidouros naturais de carbono, aumento das energias renováveis, eficiência energética e eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis. 

Portugal supera metas em emissões e renováveis 

No capítulo das emissões abrangidas pelo Regulamento de Partilha de Esforços da UE, Portugal surge entre os países com melhor desempenho projetado. 

O relatório indica que Portugal prevê reduzir as emissões em 39,3% até 2030, superando largamente a meta obrigatória de 28,7%. Isso representa uma margem positiva de cerca de 11 pontos percentuais. 

Também na área das energias renováveis o país apresenta resultados acima das exigências europeias. O PNEC português estabelece uma meta de 51% de energia renovável até 2030, mas as projeções apontam para um valor de 62%, ou seja, mais 11 pontos percentuais do que o necessário. 

Segundo o relatório, Portugal está entre os países europeus com maior potencial de sobrecumprimento das metas renováveis, ao lado de países como Lituânia, Estónia e Dinamarca. 

Sumidouros naturais colocam Portugal acima da média europeia 

Outro dos indicadores em que Portugal se destaca é o reforço dos sumidouros naturais de carbono, nomeadamente florestas e solos capazes de absorver dióxido de carbono. O relatório estima que Portugal poderá ultrapassar a meta nacional em cerca de 12 milhões de toneladas de CO2 equivalente, um dos melhores desempenhos da União Europeia. 

A nível europeu, o cenário é mais preocupante. O estudo alerta que a UE corre o risco de falhar a meta de remoção de carbono em cerca de 33,5 milhões de toneladas até 2030. 

Eficiência energética continua a ser o principal desafio 

Apesar do desempenho positivo em várias áreas, o relatório identifica fragilidades em Portugal no que toca ao consumo de energia primária. 

Embora o país cumpra as metas relativas ao consumo final de energia, sendo um dos poucos Estados-membros em linha com os objetivos europeus, as projeções mostram que Portugal poderá exceder significativamente os níveis desejados de energia primária até 2030. De acordo com os dados analisados, Portugal deverá atingir 24 Mtoe (milhões de toneladas equivalentes de petróleo) de consumo de energia primária, acima da meta definida de 16,7 Mtoe. 

O estudo sublinha que a eficiência energética continua a ser uma das maiores fragilidades da União Europeia, com a maioria dos países a falhar as metas nesta área. 

Subsídios aos combustíveis fósseis ainda sem calendário claro 

O relatório também analisa os planos nacionais para eliminar subsídios aos combustíveis fósseis. No caso português, os investigadores consideram que existe apenas uma estratégia parcial. 

Segundo o documento, Portugal menciona um processo de eliminação progressiva de alguns apoios indiretos aos combustíveis fósseis até 2030, mas não apresenta um calendário claro nem esclarece totalmente a situação dos subsídios diretos. 

A análise conclui que a maioria dos países europeus continua atrasada nesta matéria, apesar dos compromissos assumidos no âmbito climático internacional. 

União Europeia arrisca falhar metas climáticas 

Apesar dos progressos de alguns Estados-membros, o relatório alerta que a União Europeia continua em risco de falhar várias metas climáticas e energéticas para 2030. 

Os maiores problemas identificados prendem-se com a eficiência energética, os sumidouros naturais e a eliminação dos subsídios fósseis. Os autores defendem que Bruxelas deverá exigir atualizações adicionais aos planos nacionais e reforçar os mecanismos de acompanhamento para garantir o cumprimento dos objetivos climáticos europeus. 

Aceda ao relatório completo aqui