
A disponibilidade e acessibilidade de dados sobre biodiversidade aumentaram significativamente nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, multiplicaram-se os portais, plataformas e ferramentas online destinados a diferentes necessidades e públicos. Este crescimento criou novas oportunidades para utilizar informação sobre biodiversidade, mas também tornou mais difícil identificar, entre um universo cada vez mais vasto de sistemas, quais são os mais adequados a cada necessidade.
É neste contexto que uma equipa de investigadores liderada pelo UNEP-WCMC — UN Environment Programme World Conservation Monitoring Centre desenvolveu um novo inventário de sistemas de informação sobre biodiversidade. O estudo, publicado em agosto de 2026 na Annual Review of Environment and Resources, identifica 698 sistemas de âmbito global, mais de 200 regionais e pelo menos 1 400 nacionais.
O objetivo é ajudar diferentes utilizadores, incluindo governos, empresas e instituições financeiras, organizações da sociedade civil, académicos e investigadores, a navegar neste universo de informação e a identificar os sistemas mais adequados às suas necessidades. O inventário organiza os sistemas segundo uma nova tipologia e utiliza ainda o enquadramento DPSR+B, que permite classificá-los de acordo com cinco dimensões: drivers (fatores de mudança), pressures (pressões), state (estado da biodiversidade), responses (respostas) e benefits (benefícios da natureza).
Um universo de sistemas cada vez mais diversificado
Os sistemas analisados desempenham funções distintas. Alguns funcionam como portais de dados, agregando informação proveniente de diferentes fontes, enquanto outros disponibilizam ferramentas destinadas a apoiar tarefas específicas de análise, monitorização ou tomada de decisão.
A diversidade reflete também a crescente variedade de utilizadores da informação sobre biodiversidade. O estudo salienta que os dados são hoje utilizados não apenas pela comunidade científica, mas também por governos, organizações não governamentais, empresas e instituições financeiras, entre outros.
Esta expansão, contudo, não significa que a informação esteja igualmente disponível ou que seja fácil encontrar o sistema adequado. Segundo os autores, a dificuldade em localizar e interpretar corretamente a informação disponível pode comprometer a sua utilização e, consequentemente, os resultados das ações de conservação.Onde estão as principais lacunas?
A análise identifica áreas em que existe uma oferta significativa de sistemas e dados, mas também lacunas importantes. Entre estas encontram-se informação sobre os benefícios proporcionados pela natureza, determinadas cadeias de abastecimento relacionadas com a agricultura e a vida selvagem e algumas pressões sobre a biodiversidade, incluindo usos ilegais ou insustentáveis.
Os investigadores identificam igualmente situações de redundância, em que diferentes sistemas reproduzem ou reutilizam conjuntos de dados semelhantes, particularmente nas áreas das espécies e das áreas protegidas. Esta duplicação pode representar um uso pouco eficiente de recursos, ao mesmo tempo que persistem necessidades de informação ainda pouco cobertas.
Outro dos desafios apontados é garantir que os sistemas são desenvolvidos a partir das necessidades efetivas dos seus utilizadores. Compreender quem utiliza determinada informação, para que finalidade e que tipo de decisão pretende apoiar é, segundo os autores, essencial para melhorar a utilidade dos sistemas de conhecimento sobre biodiversidade.
Dados mais úteis para decisões mais informadas
A partir desta análise, o estudo apresenta recomendações para o desenvolvimento da próxima geração de sistemas de informação sobre biodiversidade. Entre as prioridades está a redução da redundância entre sistemas, a melhoria da entrega de informação para apoiar a tomada de decisão e uma maior atenção às necessidades concretas dos diferentes grupos de utilizadores.
Os autores defendem, assim, uma evolução de um ecossistema de informação caracterizado pela proliferação de plataformas para sistemas mais coordenados, complementares e orientados para a utilização efetiva dos dados.
Num contexto de crescente pressão sobre a biodiversidade, o desafio passa não apenas por produzir mais informação, mas também por tornar a informação existente mais fácil de encontrar, compreender e utilizar.



