
O Dia Mundial da Energia, celebrado a 29 de maio, é uma oportunidade para refletir sobre os progressos e os próximos passos da transição energética. As cidades, motores da mudança, estão no centro deste desafio e muitas já lideram a transformação do sistema energético rumo à neutralidade climática.
Portugal e a União Europeia têm dado passos concretos nesta direção. Destacamos 10 factos que merecem reconhecimento e 5 desafios que continuam a exigir ação coordenada, inovação e compromisso político.

10 sinais de progresso
- Portugal alcança 71% de eletricidade renovável
Em 2024, mais de 70% da eletricidade consumida em Portugal foi gerada a partir de fontes renováveis, como a hídrica, eólica, solar e biomassa. Este resultado recorde posiciona o país como um dos líderes da descarbonização elétrica na Europa, graças à redução do uso de gás natural e ao encerramento das centrais a carvão.
- Produção de eletricidade a gás natural em mínimos históricos
A produção com gás natural caiu para apenas 10% do consumo total em 2024, um mínimo desde 1979. Isto é resultado da maior disponibilidade de energia renovável e de melhorias na gestão da rede elétrica.
- Portugal ambiciona 93% de renováveis até 2030
A meta atualizada do Plano Nacional de Energia e Clima é atingir 93% de eletricidade renovável até 2030. Este objetivo exige grande investimento em solar, eólica e armazenamento.
- Solar fotovoltaico cresce exponencialmente
Portugal alcançou 5,81 GW de capacidade solar instalada em 2024, representando 14,5% da geração elétrica. Este crescimento reflete políticas de incentivo à produção descentralizada e leilões bem-sucedidos, promovendo investimentos em larga escala e contribuindo para a expansão da capacidade instalada. A produção descentralizada tem sido incentivada através da instalação de sistemas solares em edifícios residenciais, comerciais e industriais, estimulando o autoconsumo e a criação de comunidades de energia — o que reduz perdas de transmissão e aumenta a resiliência da rede.
- UE atinge 45,3% de eletricidade renovável
A União Europeia teve em 2023 o maior crescimento anual da história em energia renovável, atingindo quase metade do consumo de eletricidade proveniente de fontes limpas.
- Energia eólica ultrapassa o gás na UE
A energia eólica já representa a segunda maior fonte de eletricidade da UE, demonstrando a força desta tecnologia e o seu potencial para descarbonizar o sistema energético.
- Portugal entre os 4 primeiros em eletricidade renovável
Com 61% da produção elétrica bruta de origem renovável em 2022, Portugal é o quarto país da UE com maior percentagem de eletricidade limpa, superado apenas por países com grande capacidade hidroelétrica.
- Redução de emissões com crescimento económico
Entre 1990 e 2022, as emissões de gases com efeito de estufa da UE caíram 32,5%, enquanto o PIB cresceu 67%, demonstrando que é possível dissociar crescimento económico de emissões. Este fenómeno, conhecido como desacoplamento absoluto, indica que a economia europeia conseguiu crescer significativamente ao mesmo tempo que reduziu as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Este resultado foi alcançado através de políticas climáticas eficazes, investimentos em renováveis, melhorias na eficiência energética e transição gradual para fontes mais limpas.
Dados preliminares apontam ainda para uma redução adicional de 8% nas emissões líquidas da UE em 2023, a maior queda anual desde 2020 (ano excecional devido à pandemia).
- Potência renovável cresceu 65,6% em 10 anos
A potência instalada em fontes renováveis em Portugal aumentou 65,6% entre 2013 e 2023, refletindo o dinamismo do setor e o investimento contínuo em soluções sustentáveis.
- Leilão eólico offshore previsto ainda para este ano
Portugal prepara o seu primeiro leilão de energia eólica offshore, com o objetivo de instalar 2 GW de capacidade até 2030, abrindo uma nova fronteira para a produção renovável em alto-mar. O leilão está previsto para 2025 e integra o Plano Nacional de Energia e Clima 2030 (PNEC 2030). O governo já aprovou o Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore (PAER), identificando zonas marítimas com potencial para a instalação de parques eólicos flutuantes.
Cinco desafios para o futuro
- Renovação urgente do parque eólico nacional
Cerca de 20% das turbinas eólicas instaladas em Portugal estão próximas do fim da sua vida útil. É necessário um plano de repotenciação que permita modernizar os equipamentos e manter a eficiência.
- Demora na execução de projetos energéticos
Apesar das metas ambiciosas, muitos projetos renováveis enfrentam entraves burocráticos e oposição local, o que atrasa a implementação de soluções essenciais.
- Forte dependência de importações energéticas
Em 2024, Portugal registou o maior saldo importador de eletricidade de sempre — 10,5 TWh, representando 20% do consumo. O reforço da produção nacional e da interligação com Espanha são urgentes.
- Peso dos transportes no consumo de energia
O setor dos transportes representa mais de 35% do consumo de energia final em Portugal. É urgente acelerar a eletrificação da mobilidade e expandir os transportes públicos sustentáveis.
- Metas de eficiência energética exigem aceleração
A UE comprometeu-se a reduzir o consumo final de energia em 11,7% até 2030. Para atingir essa meta, será necessário um maior esforço na renovação de edifícios, eletrificação e uso eficiente dos recursos.
Neste Dia Mundial da Energia, as cidades portuguesas comprometidas com a plataforma Cidades Pelo Clima renovam o seu compromisso com uma transição energética justa, eficaz e centrada nas pessoas. A ação local continua a ser um dos caminhos mais fortes para alcançar os objetivos nacionais e europeus de neutralidade climática.



