Portugal conclui ligação de 99% dos contadores de eletricidade às redes inteligentes 

A ligação dos contadores de eletricidade às redes inteligentes está praticamente concluída em Portugal continental. Segundo o relatório divulgado pela ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos99% das instalações em Baixa Tensão Normal (BTN), que abrangem sobretudo clientes domésticos e pequenos negócios, já se encontram integradas em rede inteligente. 

No final do primeiro semestre de 2025, 99% dos clientes de eletricidade em BTN dispunham de contador inteligente ligado à rede, beneficiando de serviços como leituras diárias automáticas e alterações remotas da potência contratada. O objetivo definido pelo Decreto-Lei n.º 15/2022, que previa a conclusão da integração até ao final de 2024, está, assim, praticamente cumprido. 

Portugal junta-se agora ao grupo de países europeus onde a digitalização da rede elétrica é uma realidade consolidada, entre os quais se contam Áustria, Espanha, França, Itália, Irlanda e os países escandinavos e bálticos

Atualmente, o país conta com 11 operadores de rede de distribuição, sendo que a E-REDES serve 99,5% dos clientes em BTN. No final de junho de 2025, mais de 99% das instalações sob gestão da E-REDES estavam já equipadas com contadores inteligentes, restando cerca de 40 mil contadores por instalar e 70 mil integrações por concluir. Desde 2015, a distribuidora instalou entre 450 mil e 900 mil contadores por ano. 

Entre os restantes dez operadores de rede, metade já concluiu a instalação de contadores inteligentes, embora ainda não ofereça todos os serviços previstos a todos os clientes. Quatro operadores encontram-se em fase final de implementação e apenas um — a Junta de Freguesia de Cortes do Meio — ainda não iniciou o processo. Todos preveem concluir a integração entre o final de 2025 e o início de 2026. 

O relatório da ERSE refere-se apenas ao território continental, uma vez que o processo de digitalização deverá ficar completo em 2026 na Madeira e em 2028 nos Açores

A entidade reguladora sublinha que o desenvolvimento das redes inteligentes é essencial num contexto de transição energética e de crescente eletrificação dos consumos. A capacidade das redes para suportar a produção renovável, o autoconsumo, a mobilidade elétrica e os novos modelos de partilha e flexibilidade energética depende diretamente desta modernização tecnológica