
A 2.ª Conferência Internacional Cidades pelo Clima reuniu no Beato Innovation District, em Lisboa, cerca de 200 líderes da academia, das finanças, das empresas, da sociedade civil e das políticas públicas para um dia de debate sobre como acelerar o investimento climático nas cidades. Sob o tema Delivering Climate Neutrality — Business, Finance & Collective Action, a conferência integrou a 2.ª Lisbon Sustainability Week e foi organizada pelo IN+ – Centro de Investigação em Inovação, Tecnologia e Política do Instituto Superior Técnico, pela DGEG – Direção-Geral de Energia e Geologia, no âmbito do projeto europeu CapaCITIES 2.0, e pela Católica-Lisbon School of Business and Economics.

A conferência foi aberta por Maria João Rodrigues, em representação da Cidades pelo Clima, que definiu o tom do dia: ambição, rigor e orientação para a ação.

Na sessão de abertura, Manuela Álvares, Vereadora das Obras Públicas e Ambiente da Câmara Municipal de Matosinhos, representou a Presidente da Assembleia Geral da Cidades pelo Clima, Luísa Salgueiro, sublinhando o papel central dos municípios na transição climática.

Também na abertura interveio Rui Frazão, da Direção-Geral de Energia e Geologia, trazendo a perspetiva da entidade nacional responsável pela política energética e pelo apoio à transição climática nos territórios.
Keynote speakers
Os trabalhos prosseguiram com duas intervenções de abertura de perspetiva internacional.

Ricardo Rio, Head of the EMEA Region and Strategic Partnerships da Global Enabling Sustainability Initiative (GESI), apresentou o UN Solutions Hub, uma iniciativa desenvolvida pela GESI em parceria com a UNFCCC para acelerar a implementação de soluções de elevado impacto para a ação climática. A plataforma promove a colaboração entre governos, cidades, empresas, financiadores e comunidades, aproximando necessidades concretas de soluções escaláveis. Na sua intervenção, Ricardo Rio sublinhou: “Em cada território, temos a responsabilidade de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para minimizar os impactos das alterações climáticas e assegurar a qualidade de vida das nossas comunidades.” E concluiu: “Não estamos apenas a falar de sustentabilidade. Estamos a falar da saúde dos cidadãos, da sua longevidade e da forma como todos queremos viver e desfrutar das nossas cidades.”

Giulia Lombardi, da Philea — Philanthropy Europe Association, trouxe à conferência uma perspetiva ainda pouco explorada no debate sobre financiamento urbano: o papel do capital filantrópico e das fundações europeias na mobilização de recursos para a transição climática local.
Painel ‘Unlocking Municipal Climate Investment’
O primeiro painel colocou no centro do debate uma questão essencial: como podem os municípios mobilizar o investimento necessário para concretizar a transição climática nos seus territórios?
Moderado por Julio Lumbreras, do projeto europeu CitiES2030, o painel reuniu Elena Simion, da UEFISCDI e da rede M100, Miguel Almeida, do Fundo de Apoio Municipal, e Olga Kordas, da Viable Cities. O debate centrou-se nos instrumentos financeiros, nos modelos de governação e nas políticas públicas capazes de reforçar a capacidade de investimento dos municípios, com uma conclusão transversal: os recursos públicos disponíveis são frequentemente insuficientes para responder à escala dos desafios, e fechar esse desfasamento exige novas formas de colaboração entre municípios, financiadores e decisores políticos.
Painel ‘Blended Finance for Urban Climate Transition’
O segundo painel aprofundou o tema do financiamento misto, a combinação estratégica de capital público e privado como instrumento para escalar o investimento climático nas cidades.
Moderado por António Baldaque da Silva, Center for Sustainable Finance da Católica-Lisbon SBE, o debate reuniu António Bento, da University of Southern California, Matiss Paegle, da BaltCap, e Natália Alencar, do Banco Português de Fomento. Em discussão: como utilizar capital público para reduzir o risco percebido pelos investidores privados e criar condições para que o financiamento chegue aos territórios com a escala e a velocidade necessárias.
Corporate Innovation in Urban Climate Transitions — Case Studies
A sessão de casos de estudo, moderada por Dina Rato, da Católica-Lisbon SBE, reuniu quatro empresas com experiências concretas na transição climática urbana.
João Telha apresentou o percurso da CARRIS no caminho para uma mobilidade urbana mais sustentável e descarbonizada. Rui Pimenta, da ENNO, partilhou a experiência de uma empresa focada em soluções de eficiência energética e sustentabilidade urbana e os desafios de levar essas soluções à escala municipal. João Crispim, do Grupo Casais, falou sobre a integração de critérios de sustentabilidade e eficiência energética num dos maiores grupos de construção portugueses. Diogo Talone, da VEOLIA, trouxe a perspetiva de uma empresa global na implementação de soluções de gestão ambiental — água, resíduos e energia — ao serviço da resiliência climática das cidades.
Advancing Local Climate Pacts: Climate Champions League
O terceiro painel explorou uma dimensão menos convencional da ação climática: os pactos locais como instrumentos de mobilização coletiva, capazes de envolver atores que normalmente ficam de fora do debate climático.
Moderado por Bob D’Haeseleer, da ICLEI — Local Governments for Sustainability, o debate reuniu Ana Rita Barros, da Porto Ambiente, Manuel de Brito, do Sport Lisboa e Benfica, e Luís Pliteiro, do Laboratório da Paisagem. Uma das ideias mais fortes do debate: as organizações com maior raiz nas comunidades — incluindo os clubes desportivos — podem ser aliados poderosos na construção de territórios mais resilientes e na mobilização de cidadãos para a ação climática.
Sessão de encerramento
A conferência encerrou com duas intervenções de referência.

Paulo Ferrão, Chair do EU Cities Mission Board, situou o trabalho do dia no contexto mais amplo da política climática europeia. A Missão das Cidades da UE — que apoia 100 cidades europeias no caminho para a neutralidade climática até 2030 — é hoje um dos instrumentos mais ambiciosos da Europa na aceleração da transição climática local, e a sua intervenção sublinhou a ligação entre o que se faz nos territórios e os compromissos assumidos à escala europeia.

Vasco Anjos, Vereador do Ambiente, Energia e Sustentabilidade da Câmara Municipal de Lisboa, encerrou com a voz da cidade anfitriã e de um município comprometido com a neutralidade climática no âmbito da Missão das Cidades da UE. Uma intervenção que ligou o debate do dia à realidade concreta de governar uma cidade em transição.
As notas finais da 2.ª Lisbon Sustainability Week, que terminou neste dia 2 de julho, ficaram a cargo de Cristina Melo Antunes, Head of Sustainability no Santander Portugal, e de António Baldaque da Silva, Executive Director do Center for Sustainable Finance da Católica-Lisbon SBE.








