COP31: O que está em jogo em Antália? 

A COP31 realiza-se entre 9 e 20 de novembro de 2026, no Antalya Expo Center, em Antália, Turquia. Depois de Belém ter sido apresentada como a “COP da implementação”, a Presidência turca promete dar seguimento a essa ambição, assumindo como lema os três princípios de “diálogo, consenso e ação”. 

Uma presidência partilhada 

A COP31 tem uma particularidade pouco comum: a responsabilidade está dividida entre dois países. A Turquia acolhe e preside formalmente à COP31 e lidera a Action Agenda, enquanto a Austrália, através do ministro Chris Bowen, assume a Presidência das negociações formais entre as Partes.” 

Os grandes eixos em cima da mesa 

A Presidência turca organizou a sua Action Agenda em torno de um conjunto de temas prioritários, que se cruzam com os grandes desafios identificados para as cidades e para a transição climática global: 

  • Eletrificação: a Presidência lançou já, em Nova Iorque, o “35-by-35 Pledge”, um compromisso global para elevar a quota da eletricidade no consumo final de energia dos atuais pouco mais de 20% para 35% até 2035 
  • Cidades resilientes; infraestruturas e edifícios preparados para os impactos climáticos, com foco em financiamento sustentável e mecanismos de seguro de risco 
  • Edifícios: redução de emissões ao longo do ciclo de vida dos edifícios e promoção de construção e comunidades sustentáveis 
  • Zero waste e circularidade: redução de emissões de metano associadas a resíduos e expansão de políticas de economia circular 
  • Industrialização verde; tornar processos industriais mais limpos e competitivos 
  • Transportes e corredores verdes:  infraestrutura e mobilidade com menor pegada de carbono 
  • Segurança alimentar: reduzir perdas e desperdício alimentar e tornar os sistemas alimentares mais resilientes 
  • Oceanos: resiliência climática de ecossistemas costeiros e marinhos, carbono azul e cooperação regional 
  • Saúde: sistemas de saúde mais dinâmicos e resilientes face aos riscos climáticos 
  • IA e tecnologias limpas: a par do “35-by-35 Pledge”, a Presidência lançou também o “Antalya Pledge on AI” e a iniciativa “AI for Clean Technologies” 
  • Financiamento e implementação: transformar o financiamento prometido em projetos investíveis e bancáveis, e reforçar a arquitetura nacional de implementação dos compromissos climáticos 

A Agenda da COP31 

A agenda da COP31 combina as negociações formais no âmbito da UNFCCC com as prioridades políticas definidas pela Presidência turca.  

No plano negociador, estarão em discussão temas como adaptação, financiamento climático, perdas e danos, tecnologia e transferência de tecnologia, transparência e implementação, bem como o acompanhamento dos resultados do primeiro Global Stocktake e da meta global de adaptação.  

Em paralelo, a Presidência pretende usar a Action Agenda para acelerar a implementação no terreno, com destaque para eletrificação e transição energética, cidades resilientes, redução de resíduos e metano, industrialização verde, segurança alimentar, oceanos e saúde.  

A COP31 será, assim, simultaneamente um fórum de negociação sobre os compromissos multilaterais e uma tentativa de transformar esses compromissos em projetos, investimento e resultados concretos. 

Um teste à “COP da implementação” 

O verdadeiro desafio da COP31 não está apenas em definir mais metas, mas em demonstrar que mecanismos já criados em Belém, como o Global Implementation Accelerator e a Belém Mission to 1.5, conseguem, de facto, acelerar a passagem dos compromissos para ação concreta no terreno.  

Em Antália, será também possível avaliar os primeiros passos dados para transformar o compromisso de triplicar o financiamento da adaptação até 2035 em fluxos financeiros concretos. A questão da transição para fora dos combustíveis fósseis, que não conseguiu produzir em Belém um roteiro negociado entre as Partes, continuará também a pressionar a agenda política de Antália, embora não seja correto antecipar que um novo roteiro esteja já formalmente inscrito na agenda negociadora.