
A Comissão Europeia apresentou o novo plano AccelerateEU – Energy Union, uma estratégia que tem como objetivo reforçar a resiliência energética da União Europeia, reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e acelerar a transição para energia limpa produzida na Europa.
O pacote de medidas surge num contexto de crescente instabilidade geopolítica e subida dos preços da energia, agravados pelo conflito no Médio Oriente, que voltou a pressionar os mercados internacionais de petróleo e gás. Segundo a Comissão Europeia, a União Europeia gastou cerca de 340 mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis em 2025, aos quais se somaram mais 24 mil milhões de euros em despesas adicionais desde março de 2026 devido à escalada do conflito na região.
Atualmente, cerca de 57% da energia consumida na União Europeia continua a depender de combustíveis fósseis importados.
Cinco pilares para acelerar a União da Energia
O plano AccelerateEU assenta em cinco áreas prioritárias de intervenção, combinando medidas de curto prazo para proteger consumidores e empresas com ações estruturais para acelerar a descarbonização do sistema energético europeu.
Um dos eixos centrais passa pelo reforço da coordenação entre Estados-Membros, quer na gestão do mercado interno de energia, quer na relação com fornecedores internacionais de combustíveis fósseis. Entre as medidas previstas estão mecanismos coordenados de armazenamento de gás, libertação estratégica de reservas petrolíferas e maior articulação entre políticas energéticas nacionais.
A Comissão Europeia pretende também reforçar a proteção de consumidores e empresas perante novos picos de preços da energia. O pacote inclui recomendações para apoios temporários direcionados, vales energéticos e redução de impostos sobre eletricidade para famílias vulneráveis.
Mais renováveis e eletrificação
Outra prioridade passa pela aceleração da produção de energia limpa na Europa. Bruxelas quer reduzir progressivamente a dependência de petróleo e gás através de uma aposta mais forte em energias renováveis, eletrificação e modernização do sistema energético.
O plano prevê medidas para remover barreiras à eletrificação nos setores da indústria, transportes e edifícios, bem como incentivos ao aumento da capacidade industrial ligada às tecnologias limpas.
A modernização das redes energéticas surge igualmente como um ponto estratégico. A Comissão quer acelerar a implementação do chamado “EU Grids Package” e apoiar projetos de “Energy Highways”, considerados essenciais para integrar mais renováveis no sistema elétrico europeu.
Investimento e segurança energética
A mobilização de investimento público e privado é outro dos pilares do AccelerateEU. A Comissão Europeia pretende criar condições para aumentar o financiamento da transição energética através de iniciativas europeias e eventos dedicados ao investimento em energia limpa.
Segundo Bruxelas, a transição energética deixou de ser apenas uma questão ambiental, assumindo-se agora como uma prioridade económica, industrial e de segurança estratégica para a Europa.
O plano reforça também o alinhamento com o REPowerEU, lançado após a invasão da Ucrânia pela Rússia, que visa eliminar gradualmente as importações de energia russa e acelerar a independência energética europeia.
Energia acessível e combate à pobreza energética
A Comissão Europeia destaca ainda a necessidade de proteger os consumidores mais vulneráveis, reconhecendo que os elevados custos da energia continuam a afetar de forma desproporcional famílias em situação de pobreza energética.
Neste âmbito, o AccelerateEU articula-se com o “Citizens’ Energy Package”, apresentado em março de 2026, que procura reforçar o acesso à energia e reduzir os impactos sociais da transição energética.
Além das medidas europeias, Bruxelas prevê continuar a apoiar iniciativas locais ligadas à eficiência energética, regiões carboníferas em transição e programas de combate à pobreza energética.



