
A forma como aquecemos e arrefecemos edifícios, equipamentos públicos e infraestruturas urbanas está a ganhar um papel central na transição energética europeia. Embora o debate sobre energia continue muitas vezes centrado na eletricidade, a realidade é que o aquecimento e o arrefecimento representam cerca de metade do consumo final de energia na União Europeia, tornando este setor decisivo para atingir as metas de neutralidade climática.
É neste contexto que a ADENE – Agência para a Energia promove, no próximo dia 24 de junho, em Loulé, o workshop “Planos Locais de Aquecimento e Arrefecimento: uma oportunidade na transição energética”, uma iniciativa realizada em parceria com a Câmara Municipal de Loulé e integrada no projeto europeu Plan4COLD.
O evento reúne técnicos municipais, especialistas em energia e responsáveis pela ação climática local para discutir uma nova geração de instrumentos de planeamento energético que poderá assumir um papel determinante nos próximos anos.
Um desafio particularmente relevante para o Sul da Europa
Historicamente, as políticas energéticas europeias focaram-se sobretudo nas necessidades de aquecimento dos países do centro e norte da Europa. Contudo, a realidade dos territórios mediterrânicos é diferente.
As alterações climáticas estão a aumentar significativamente as necessidades de arrefecimento dos edifícios, tornando as ondas de calor cada vez mais frequentes um desafio para cidades e comunidades. Ao mesmo tempo, continuam a existir importantes necessidades de aquecimento durante os meses mais frios, exigindo soluções mais eficientes e menos dependentes de combustíveis fósseis.
A nova Diretiva Europeia de Eficiência Energética reconhece esta realidade e incentiva os municípios com mais de 45 mil habitantes a desenvolverem Planos Locais Sustentáveis de Aquecimento e Arrefecimento, capazes de identificar necessidades energéticas, recursos disponíveis e oportunidades de investimento.
Do diagnóstico à ação
Os Planos Locais de Aquecimento e Arrefecimento permitem aos municípios mapear consumos energéticos, identificar zonas prioritárias de intervenção e avaliar soluções como redes urbanas de aquecimento e arrefecimento, aproveitamento de calor residual, integração de energias renováveis ou expansão de tecnologias de elevada eficiência, como as bombas de calor. Estes planos constituem ferramentas de apoio à decisão que ajudam as autarquias a alinhar políticas energéticas, climáticas e urbanísticas.
Segundo a Comissão Europeia, a descarbonização do setor do aquecimento e arrefecimento é essencial para alcançar os objetivos energéticos e climáticos da União, uma vez que cerca de dois terços do gás fóssil consumido na Europa continua a ser utilizado para produzir calor em edifícios e processos industriais.
O projeto europeu Plan4COLD
O workshop decorre no âmbito do projeto europeu Plan4COLD, financiado pelo programa LIFE, que pretende apoiar municípios do sul da Europa na definição e implementação de Planos Locais Sustentáveis de Aquecimento e Arrefecimento.
Coordenado pela ADENE, o projeto envolve parceiros de Portugal, Itália e Grécia e tem como objetivo desenvolver metodologias, ferramentas e ações de capacitação que apoiem as autoridades locais na preparação destes instrumentos de planeamento energético. Entre os municípios portugueses abrangidos encontram-se Loulé, Guimarães, Évora, Vila Real, Funchal, Palmela, Sesimbra e Setúbal.
Além da elaboração dos planos, o projeto pretende contribuir para a implementação da Diretiva Europeia de Eficiência Energética e para a concretização dos objetivos definidos nos Planos Municipais de Ação Climática e no Plano Nacional Energia e Clima.
Uma oportunidade para os territórios
Num contexto em que as cidades enfrentam simultaneamente o desafio da neutralidade carbónica, da adaptação às alterações climáticas e da redução da pobreza energética, os Planos Locais de Aquecimento e Arrefecimento surgem como uma oportunidade para transformar necessidades energéticas em estratégias de desenvolvimento sustentável.
Ao identificar soluções adaptadas às características de cada território, estes planos podem contribuir para reduzir emissões, aumentar a eficiência energética, melhorar o conforto térmico dos cidadãos e reforçar a resiliência das comunidades perante um clima em mudança.
A sessão de Loulé constitui, por isso, um momento relevante para refletir sobre o papel dos municípios na construção de sistemas energéticos mais eficientes, renováveis e preparados para os desafios do futuro.



