O estado da energia no mundo: 10 visões-chave sobre a Transição Energética Global 

A transição energética global avança a um ritmo sem precedentes, mas enfrenta contradições profundas. As energias renováveis dominam as novas capacidades instaladas, enquanto o consumo de combustíveis fósseis continua elevado. Num contexto de instabilidade geopolítica, crescimento acelerado da procura e desafios estruturais, o futuro energético permanece em aberto. Eis dez visões essenciais para compreender onde estamos e para onde podemos ir. 

1. As energias limpas lideram, mas não substituem os fósseis 

Em 2024, mais de 90% da nova capacidade elétrica instalada a nível mundial teve origem em fontes renováveis como solar, eólica, hídrica e geotérmica. Isto significa que a maior parte das novas instalações de produção de energia elétrica (como solar, eólica, hídrica e outras renováveis) está efetivamente a crescer de forma dominante no novo parque elétrico global. Apesar deste avanço histórico, o consumo global de carvão, petróleo e gás continua a crescer. O grande desafio já não é apenas instalar energia limpa, mas desligar efetivamente as fontes fósseis existentes. 

2. A instabilidade geopolítica ameaça o ritmo da transição 

Conflitos internacionais, mercados voláteis e tensões comerciais estão a reconfigurar alianças e cadeias de abastecimento. Alguns países recuam nos compromissos climáticos num momento em que a procura por eletricidade aumenta rapidamente, tornando mais difícil a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. 

3. A procura global de energia está a acelerar 

Em 2024, a procura global de energia cresceu 2,2%, bem acima da média anual da década anterior. Este aumento reflete crescimento económico, industrialização e maior acesso à energia, especialmente em países em desenvolvimento. 

4. A eletricidade é o novo centro do sistema energético 

A procura global de eletricidade cresce ainda mais rapidamente: estima-se um aumento de 4,5% em 2025 e um crescimento médio anual de pelo menos 2,8% até 2030. Mobilidade elétrica, arrefecimento urbano, digitalização e a explosão dos centros de dados estão a transformar a eletricidade no eixo central da transição energética. 

5. O investimento em energia limpa supera os combustíveis fósseis 

Há uma década que o investimento global em energia limpa ultrapassa o investimento em fósseis. Em 2025, o investimento energético total deverá atingir um recorde de 3,3 biliões de dólares, dos quais cerca de 2,2 biliões destinam-se a soluções limpas, incluindo renováveis, redes, armazenamento, eficiência energética e combustíveis de baixas emissões. 

6. Os mercados emergentes são a maior oportunidade e o maior desafio 

Apesar de concentrarem o crescimento futuro da procura energética, os mercados emergentes e países em desenvolvimento receberam apenas 15% do investimento global em energia limpa em 2024. Países de baixo e médio rendimento, onde vive 40% da população mundial, continuam largamente subfinanciados, arriscando ficar presos a infraestruturas fósseis por décadas. 

7. O emprego na energia limpa ultrapassa os fósseis 

O setor da energia limpa tornou-se um motor global de emprego. Entre 2019 e 2023, o número de trabalhadores passou de 30 para 35 milhões, superando o emprego nos combustíveis fósseis. Até 2030, poderão ser criados mais 10 milhões de postos de trabalho, sobretudo em veículos elétricos, baterias, redes elétricas, solar e eficiência energética. 

8. A escassez de competências ameaça o crescimento do setor 

Apesar da criação de emprego, muitos países enfrentam falta de mão de obra qualificada, especialmente em áreas técnicas como eletricidade, soldadura e construção. Investimentos em formação, reconversão profissional e apoio às comunidades dependentes dos fósseis serão decisivos para uma transição justa. 

9. Minerais críticos são estratégicos — e sensíveis 

Cobre, lítio, cobalto e níquel são fundamentais para tecnologias limpas. A procura por estes minerais cresce rapidamente e poderá duplicar até 2030. Embora a oferta atual seja relativamente robusta, a extração levanta desafios ambientais e sociais significativos, exigindo cadeias de abastecimento diversificadas, responsáveis e transparentes. 

10. As redes elétricas são o gargalo da transição 

A expansão da energia limpa depende de redes elétricas modernas e resilientes. Até 2050, será necessário duplicar a extensão global das redes de transporte e distribuição. O investimento atual é insuficiente, sobretudo em economias emergentes. Atrasos em licenciamento, conflitos locais e infraestruturas envelhecidas estão a travar projetos essenciais. 

Uma encruzilhada energética global 

A transição energética está em curso, mas não é inevitável nem linear. As decisões tomadas hoje sobre investimento, planeamento, políticas públicas e envolvimento social irão determinar se o mundo caminha para um sistema energético limpo, acessível e resiliente ou se prolonga a dependência de modelos insustentáveis. 

Fontes principais utilizadas